Preto, pobre, mulher, gay e artista: afinal. Quem pode ter opinião própria?

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Vamos evocar aqui uma figura controversa. Carismática, mas, quase sempre, inconveniente. Adora cuidar da vida, mas não da própria. Adora por defeito nos outros para poder justificar os próprios. Uma mistura de juiz e repórter investigativo. Olhar por cima do muro, pelas frestas do portão. Assim, chega ao seu veredito e manda a reputação, de quem quer que seja o réu, direto para a prisão: uma caixinha, rotulada, que essa figura propagandeia aos quatro ventos mas que esconde por trás das costas, e de um sorriso amarelo, quando cruza por aí com o infeliz condenado, que sorri de volta e nem imagina que, por trás, já foi apunhalado. Cagueta, Zé povinho, língua de trapo, Fifi, leva e traz… não faltam alcunhas para essa figura que é, mais frequentemente (e carinhosamente), apelidada de vizinho fofoqueiro.

Nesses tempos de vizinhança globalizada, as fronteiras da nossa querida personagem se agigantaram: agora você tem vizinhos fofoqueiros que moram a 100, 200, 1000 km de distância. As vezes podem nem falar a sua língua. Não é raro ele nunca ter te visto pessoalmente. Mas estão sempre prontos para te colocar nas tais caixinhas.

As janelas desse vizinho moderno, conectado, se chamam gadget. Dessa janela, o vizinho vê muitas ruas: Instagram, Facebook… os mais assanhados estão de olho na rua Badoo, Xvideos e outras similares no mesmo quarteirão.

E a moral desse vizinho? Outrora conservador – com o perdão aos conservadores, pelo esvaziamento do termo -, hoje ele é progressista. E já não é mais o tiozinho ou a tiazinha aposentada, que entre uma novela e outra se debruçam nos muros alheios atrás de um “F5”. Hoje ele é muito mais plural. Pode ser jovem, pode estudar numa federal e pode ter ido à última manifestação Lula Liv… haham, “pela educação”. E ai de você que não foi. Já tem sua caixinha (de fascista) reservada.

Aliás, fascista é a caixinha preferida desse vizinho fofoqueiro – que também pode ser chamado de vizinho patrulheiro. É a caixa que ele mais usa e a que ele menos sabe explicar o que significa. Na ausência de uma caixinha personalizada, a de fascista serve. É bem parecida com o carregador universal que o vizinho usa para carregar a bateria de todos os seus gadgets. É uma caixinha genérica, quase que um “pretinho básico”: cai bem na maioria dos casos.

Por exemplo. Quando o negro não concorda com as pautas do movimento negro, o vizinho já tem uma caixinha para ele. Normalmente, a caixinha de Capitãozinho do mato serve perfeitamente (veja aqui). Milimetricamente sulcada para caber a reputação de qualquer negro que ouse pensar por si próprio e que fuja da sua senzala ideológica.

O pobre também costuma ter sua caixinha especial com o rótulo de Pobre de direita (veja aqui). Se as mulheres não se posicionam da devida maneira, elas são logo cobradas. Onde já se viu, mulher escolher não falar o que o vizinho patrulheiro quer que ela fale (veja aqui)? Os gays também sofrem represálias se não forem de esquerda (veja aqui). Mas, se essas minorias não tem suas próprias caixinhas, serve o pretinho básico mesmo. Fascista.

Homens, normalmente, se encaixam perfeitamente na caixinha de estupradores (veja aqui). Aquela velha história de patriarcado, de cultura do estupro e blablabla.

Vizinhos patrulheiros de toda a lacrosfera, uni-vos! Uni-vos contra todas as pessoas que querem expressar o indivíduo que são e seguir as próprias aspirações e crenças. Vamos persegui-los, se for preciso, até os confins da internet, até a última sequência de zeros e uns que restar!

Brincadeiras à parte – mas com fundo de verdade -, não sou uma pessoa que vê a ideia de classes conectada com a realidade de modo que ela possa servir como perspectiva de análise para enxergar o mundo e seus problemas. Pessoas se juntam por interesses comuns e sim, se autodenominam pertencentes a grupos. Isso é perfeitamente normal. Mas quando a decisão é em grupo, é uma coincidência, e não uma regra. Esse é o ponto. A ideia de que as decisões de uma classe valha para todos e SEMPRE é justamente a ideia que justifica a cobrança quando alguém dessa classe destoar.  É óbvio que não se pode concordar com tudo. Somos indivíduos, cada qual com suas idiossincrasias. O estranho é, justamente, concordar bovinamente.

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A bateria tava quase acabando! hahaha

A inspiração para este texto surgiu, justamente, da mentalidade preconceituosa do esquerdismo. Em uma postagem no Instagram de Jair Bolsonaro, uma discussão se acalorou. Uma pessoa – não é da minha conduta revelar identidades nessa situação – que também participava da discussão, resolveu patrulhar a vida dos vizinhos, viu que me autodenominava artista e chegou à conclusão de que ser artista e votar em Bolsonaro é um contra-senso. Óbvio, assim como pobres, pretos, mulheres e gays, artistas também não podem ter sua própria opinião. Opinião quem tem são as classes, não os indivíduos. Conseguem perceber o grande mal que é esse tipo de ideia? Mais uma vez, o vizinho e as suas caixinhas.

Apesar de não ter votado – acredito que onde o estado não se mete, é onde as soluções aparecem -, realmente chego a quase me arrepender de não ter votado. Imagina a esquerda no poder de novo? Antes o menos pior do que a completa tragédia.

Apesar de militância esquerdista conseguir distorcer o sentido de muitas palavras – brinco com isso com a minha página no instagram @enciclopediabarsoca (veja aqui) – por enquanto, ainda não conseguiu dominar a semântica. Se um dia isso vir a acontecer, ser artista vai significar seguir a cartilha progressista. Esse vai ser o dia que, voluntariamente, deixarei de me definir como artista. Até lá, artistas, pretos, mulheres e gays: libertem-se – enquanto podem!

Portanto, vizinhos patrulheiros, fica a pergunta que não cala: pela liberdade de que minoria vocês lutam mesmo? Quem pode ter opinião própria?

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Neymar: estuprador ou extorquido?

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É inegável que o “menino Ney” é um jogador brilhante, muito, mas muito acima da média. Mesmo assim, o jogador divide bastante a opinião pública. Uns reverenciam seu talento, outros, não engolem muito seu comportamento fora dos gramados – inclusive este que vos escreve. Novamente, Neymar se vê envolvido em polêmica.

Najila Trindade, uma modelo de 26 anos, registrou um boletim de ocorrência acusando o jogador do Paris Saint-Germain de tê-la estuprado, que, por sua vez, publicou um vídeo no Instagram (veja aqui) se defendendo das acusações, usando como álibi mensagens que trocou com a jovem pelo Whatsapp para comprovar que houve relação sexual, mas que a relação foi consensual.  Najila alega que os gastos com passagens e hospedagem em um hotel em Paris, onde teria acontecido o encontro, foram pagos pelo jogador.

A conversa pelo Whatsapp revela alguns pontos interessantes. O primeiro que eu destaco é de uma foto de marcas no bumbum que a garota registrou e enviou para Neymar, pelo aplicativo, após o encontro. Em um tom de provocação sexual, a mensagem veio acompanhada do texto “vai ter volta” e de constantes convites para o jogador retornar ao hotel, para uma segunda noite. Estas mesmas marcas foram relatadas pelo laudo médico do exame de corpo de delito feito pela moça, seis dias após o ocorrido, em um hospital particular.

O segundo ponto na conversa é que, após o dia do suposto estupro, os dois continuaram conversando normalmente, no mesmo clima de provocação sexual que iniciara meses atrás, quando ainda combinavam o encontro. Nada se alterou, apenas a frustração da modelo em não ter conseguido um segundo encontro.

O terceiro e último ponto que destaco é o de que a moça teria, também após o encontro, pedido a Neymar, por Whatsapp, uma lembrança para o filho Lucca, que seria fã do jogador. Neymar, sem nenhum rodeio, concorda e o clima de provocações continua.

Ao divulgar os prints da conversa com a modelo pelo Whatsapp no seu vídeo no Instagram, Neymar se colocou em risco. O artigo 218-C do código penal prevê pena de um a cinco anos de prisão para quem oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual sem o consentimento da vítima e que contenha cena de sexo, nudez ou pornografia. Entretanto, qual seria o posicionamento da imprensa se ele não tivesse divulgado essas conversas? Será que seriam responsáveis ou estariam culpando-no efusivamente? Militantemente?

Apesar do risco, se confirmada a legitimidade da conversa pelo Whatsapp, não restam muitas dúvidas de que Neymar se defende de um golpe. Óbvio que é impossível saber o que aconteceu, detalhadamente, no quarto de hotel. Mas, afinal: quem convidaria o estuprador para um segundo encontro? Porque a denúncia de estupro foi feita somente na volta para o Brasil?

Vamos aprofundar um pouco o tema. Não é raro esse tipo de situação acontecer. Cristiano Ronaldo, companheiro de profissão de Neymar, também já sofreu com acusações de estupro – até agora nada esclarecidas. Até pouco tempo atrás, denuncias de casos de abuso sexual em Hollywood influenciaram uma onda de denúncias, sob a viralização da hashtag #metoo. Apesar de termos todos os motivos para crer em muitas dessas denúncias, será que esse clima de ativismo judicial não é responsável por criar um perfeito cenário pró-aproveitadores?

É fato que as leis do estado são influenciadas por esse “ativismo compensatório”, que parece querer equilibrar supostas injustiças com leis. Nesse caso em específico, a narrativa é a de que a sociedade é patriarcal e machista e que existe uma cultura do estupro. Portanto, leis devem ser positivadas a fim de favorecer as mulheres. Mas podemos ver esse tipo de lei sendo criada em favor de outras minorias como gays e negros. Leis veganas também são discutidas (veja aqui).

Leis não servem para compensar injustiças. Leis servem somente para a solução de conflitos. Querer compensar desigualdades com leis é próprio da mente totalitária que deseja empreender engenharias sociais. Essa mentalidade, na prática, só faz criar ainda mais desigualdades, porque a sociedade sofre como um todo, inclusive pessoas que já sofrem, sofrerão ainda mais para que a sociedade se “equilibre”.

Os homens já percebem o seu desfavorecimento há tempos e expressam seu desconforto em movimentos masculinistas, como o movimento MGTOW (saiba mais aqui). Homens que preferem não se casar, pois, na grande maioria das vezes, ficam sem a guarda dos filhos e ainda tem de pagar pensão. Homens que preferem as prostitutas a correr o risco de ser penalizado por conta de uma cantada (veja aqui). Quem sai perdendo, com tudo isso, são as mulheres normais, que acabam caindo em generalização.

O que o feminismo e o politicamente correto tem conseguido, de fato, fazer, é gerar atrito, acirramento e divisão na sociedade, além de criar um ambiente confortável para golpistas da espécie de Najila Trindade, que ainda é apoiada pelos idiotas úteis dos ativistas que levantam essas bandeiras (veja aqui). Sem falar que o prejuízo imagético e financeiro para figuras como Neymar, nessas circunstâncias, pode ser irreparável, por mais que haja punição.

Esse tipo de caso nos traz a oportunidade de discutir esses temas. Na superfície, parece ser apenas mais um caso envolvendo uma aproveitadora e um milionário. Por detrás, há uma crise global de valores e uma militância voraz, irresponsável e sem escrúpulos. Se uma mentira contada mil vezes se torna verdade, então ela deve ser refutada também mil vezes.

Os quase 30 e a máquina do tempo

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Foto por Giallo em Pexels.com

Amigos leitores. Já faz muito tempo desde que escrevi o último texto, tirei a última foto ou escrevi o último roteiro de tirinha que publiquei aqui no Interferência Urbana. Muitas amizades foram feitas no tempo em que publicamos aqui e hoje consigo ver que o que fizemos à época teve a sua importância e o seu valor. E esse valor continua sendo reconhecido. O blog continuou mantendo o mesmo nível de acesso mesmo depois de anos sem publicar nada. O que me faz pensar que se tivéssemos continuado, provavelmente atingiríamos uma boa relevância.

Confesso a vocês que esse texto está sendo escrito nessa madrugada de quarta para quinta-feira, no dia 30 de maio de 2019, num misto de nostalgia e “auto-vergonha”. Já se pegaram com a sensação de vergonha de coisas que você fez? Pois é, me senti um pouco com vergonha do meu eu da época que escrevia aqui. Da maneira como eu escrevia, por exemplo. Hoje, lendo a mim mesmo, percebo que as vezes era penoso conseguir achar a melhor maneira de dizer o que eu queria. Não tinha lá as melhores habilidades retóricas/textuais/argumentativas – e, convenhamos, continuo não tendo. Mas não somente a maneira de dizer. Muito do que eu dizia eu já não concordo mais hoje. Esses anos de hiato aqui (pretendo voltar a escrever) me fizeram passar por uma brutal mudança de visão de mundo e quero falar um pouquinho sobre isso.

Em 2013, quando comecei o Interferência Urbana com alguns amigos, eu tinha 23 anos e era um recém-formado bacharel em Comunicação Social, trabalhava diagramando, revisando texto, fazendo fotos, artes e até algumas reportagens para o Diário Oficial de Barueri e era um militante de esquerda de um coletivo chamado OCA (Osasco Contra o Aumento) que lutou para revogar o aumento do preço das passagens de ônibus aqui na minha cidade e teve o seu ápice no histórico Junho de 2013, quando as passagens foram, enfim, abaixadas em Osasco, São Paulo e em outras cidades. Quem não se lembra do jargão “Não são só 20 centavos”?

Hoje, tenho 29 anos, sou estudante de música, trabalho com música também, já não trabalho mais no jornal há pelo menos 5 anos e já não compactuo com a minha visão política de 6 anos atrás. O Denis de hoje mudou completamente de lado na visão política e o ano de 2013 foi, na verdade, o começo dessa mudança.

Na época de militante do OCA, promovíamos protestos, invadíamos a câmara dos vereadores, panfletávamos, participávamos de reuniões e articulávamos os nossos atos na sombra dos atos do MPL (Movimento Passe Livre), coletivo do qual participávamos dos protestos e mantínhamos algum contato (nada muito aprofundado). Levamos muita bomba da polícia e respiramos muito spray de pimenta nessa época. Não sinto a menor falta disso, confesso.

Éramos um coletivo apartidário. Ninguém que fundou o coletivo tinha aspirações políticas. Lembro-me que nos primeiros protestos, levávamos 20, 30 pessoas para a rua quando era muito. Mas ao longo do ano de 2013, os protestos do MPL em São Paulo, a repressão policial aos manifestantes violentos e a veiculação de uma verdadeira guerra urbana na grande mídia fez com que, aqui em Osasco, o nosso coletivo começasse a levar cada vez mais gente para as ruas e a chamar atenção da cena política. Vereadores começavam a abrir os seus gabinetes para nos receber e alguns até sinalizavam positivamente, prestando algum suporte. A militância esquerdista começava a salivar de interesse pela liderança do nosso coletivo justamente essa época.

Muitas pessoas filiadas a partidos políticos começaram a xeretar as nossas reuniões e a participar dos nossos atos. Jovens do PCdoB, PT e PSOL eram figuras assíduas nessas situações e era muito claro o interesse dessas pessoas em ganhar capital político em cima da popularidade que a nossa pauta ia progressivamente ganhando. Muitas dessas pessoas pretendiam se candidatar.

Dentro do movimento, havia divergência sobre a participação desses militantes filiados a partidos. Alguns não se importavam que eles participassem das decisões do coletivo. Eu era um dos que não gostava e procurava confrontá-los sempre que possível. Isso gerou um clima de rivalidade dentro do movimento, que já era prenúncio de golpes que viriam na sequência.

Muitos desses militantes filiados acabaram se passando por líderes do nosso coletivo quando perguntados pela imprensa local. No dia do protesto final, um desses militantes se passou por líder do coletivo para ir apertar a mão do prefeito quando esse decidiu decretar a revogação do preço da passagem. O coletivo sofreu um golpe político e eu sofri um golpe ideológico.

Até então, eu acreditava que o homem de esquerda deveria ser aquele capaz de colocar o coletivo acima do indivíduo. Anos mais tarde eu entendi, finalmente, que isso era impossível e que se colocar, como indivíduo, acima do coletivo, era completamente normal. Belo e moral. Mas foi ver a atitude desse homem de esquerda, na prática, que começou a me transformar.

Mesmo quando eu era de esquerda, detestava o PT, Lula e seus cupinchas. Aqui no Interferência Urbana chegamos a produzir tirinhas criticando essas figuras. Mas em 2014, acabei votando na Dilma Rousseff por falta de opção. Voto que me arrependi amargamente de ter dado e não é preciso entrar em detalhes para entender o porquê do arrependimento. Meu esquerdismo começava a ficar bastante abalado e eu estava começando a dar ouvido para ideias que vinham do outro lado.

Nessa época, um dos youtubers que mais fazia sucesso falando de política era o jornalista Dâniel Fraga. Uma figura extremamente combativa que pude conhecer pessoalmente em uma manifestação na Avenida Paulista. Cheguei até a dar entrevista para o sujeito, cujo trecho fez parte de algum vídeo que ele compilou de momentos dessa manifestação. Eu não concordava com muita coisa do que ele dizia, particularmente pela visão de mundo que ele começava a desenvolver: o tal do Anarcocapitalismo.

Nunca gostei da ideia de Estado. Quando eu era de esquerda, sempre tive tendências anarquistas, por achar que o comunismo era um processo muito lento e que eu não tinha tempo hábil de vida para mudanças graduais. Queria liberdade pra ontem e o Estado sempre foi um enxerido querendo cagar regra na vida das pessoas. Nisso acho que eu e o Fraga sempre concordamos, mas eu achava que a ideia de capitalismo e anarquia eram completamente incompatíveis por pertencerem a dois opostos no espectro político. Achava engraçado o termo Anarcocapitalismo.

“Imposto é roubo”. Tá aí uma frase que acho que ninguém é capaz de se colocar contra. Há alguns meses atrás, fiz um post no Facebook oferecendo R$ 1000,00 para quem conseguisse me convencer que imposto não é roubo. Assim como eu não conseguia contra-argumentar isso quando o Fraga dizia, ninguém ganhou os meus R$ 1000,00 oferecidos até hoje. Se você quiser tentar ganhar essa grana, clique aqui e procure o post. Boa sorte!

Quanto mais o tempo passava, mais eu ia me decepcionando com a esquerda e mais eu ia vendo o quanto o discurso do Fraga fazia sentido, o quanto o Estado era incapaz de prover serviços de qualidade e de gastar o dinheiro dos impostos de maneira minimamente eficiente. Fazendo vídeos altamente críticos e sem o menor pudor, Dâniel Fraga começou a incomodar os agentes do Estado e sofreu retaliações por meio de processos judiciais. Em alguns ele foi absolvido, em outros, condenado. Mas no final das contas, ele não pagou nenhuma multa que foi condenado a pagar. O Estado também não conseguiu penhorar nenhum bem do Fraga porque toda a riqueza que ele tinha estava em um lugar onde o Estado não tem controle: uma carteira de Bitcoin, fato que provavelmente fez o Fraga enriquecer muito, porque ele foi um entusiasta da mais popular criptomoeda do mundo mesmo antes do seu valor explodir e se multiplicar muitas vezes.

A verdade é que o Dâniel Fraga me convenceu de suas posições e, pouco tempo depois, sumiu sem deixar rastros. Hoje, o ex-youtuber é tido como uma lenda na comunidade Anarcocapitalista. Comunidade essa que ele influenciou em muito no crescimento e que hoje tem uma representatividade relevante, principalmente entre os jovens.

Depois disso, ainda levei um tempo para digerir muitas das discussões que rolam no meio Anarcocapitalista/Libertário. Uma nova literatura se abriu e novas discussões filosóficas me foram apresentadas. Autores como Mises, Rothbard, Ayn Rand, Rayek, Hans-Hermann Hoppe e David Friedman versam sobre ética, praxeologia, epistemologia e muitas outras áreas dentro do direito, economia e da filosofia. O velho Denis esquerdista tinha mesmo ficado para trás.

Na madrugada de hoje, o Inteferência Urbana se transformou numa espécie de máquina do tempo onde pude reencontrar esse velho Denis de quem hoje tenho vergonha de ver como se expressava e que ideias cozinhava na cachola. Mas começo a ter orgulho dele por ter tido coragem de viver e de expandir os seus horizontes para estar aqui hoje, e de ter visto muitas pessoas lhe virarem as costas por ter tido coragem de mudar e de assumir as suas mudanças. Não pretendo apagar nada que eu tenha feito nem mudar nenhuma linha sequer que eu tenha escrito. Sou experiência viva, uma experiência aberta para qualquer um que se interesse em consultá-la. Talvez, amanhã, eu volte aqui tendo vergonha do eu de hoje, e tudo bem. Essa é a sensação de alguém que foi a frente e reconhece que algo melhorou com o passar dos anos.

Pretendo voltar a escrever aqui para o Interferência Urbana e pretendo começar um canal no Youtube. Não vou contar nada agora, mas pretendo fazer o blog e o canal funcionarem em conjunto. Então, fique ligado e… envelheçamos!

A explicação da onda de calor mundial

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É inegável que o calor está aumentando a cada dia, mesmo em estações que deveriam ser frias. Existe uma explicação lógica e racional para isso, a parte ruim é que dificilmente esse quadro se reverterá.

Com o aumento do número de pecadores e consequentemente suas mortes, o Inferno acabou ficando pequeno. Sabemos que ele fica no Centro da Terra e por isso são necessárias obras de expansão contínua, para que caibam mais pessoas (almas, espíritos ou qualquer denominação de sua religião).

Com essa expansão, aumenta-se o número de vulcões e terremotos, para que a rocha derretida (também conhecida como Lava) possa vir para a superfície.

Oras, se o Inferno aumenta, a camada que o separa do lado externo do planeta fica menor e por isso, todo o calor da Terra do Capiroto vai criar uma pressão nas “paredes” que separam esse mundo, aquecendo o solo externo e assim aumentando o calor.

Simplificando o raciocínio, O inferno está aumentando e o calor está transcendendo para o plano terreno.