Festa ou velório? Quem você escolhe?

arrependimento

Redes sociais servem para aproximar as pessoas, disse ele. Essa aproximação, que gosto de chamar de “aproximação plástica e/ou artificial” serve para dar uma sensação de conforto enquanto esconde o que na verdade não queremos presenciar.

Preste bem atenção: Se não fosse aquela famosa rede social, muitos aniversários passariam batido. Você não se lembraria, não de todos, apenas daquelas pessoas mais próximas. Ela nos ajudou cumprir um pedaço de nossa “vida social”, desejando o feliz aniversário para determinada pessoa. “Parabéns, fulano”. Pronto. Resolvido.

Alguns amigos moram na mesma cidade e você não os vê há tempos. Meses? Anos? Não me lembro, pois o “vejo” todos os dias na rede social. Até conversamos de vez em quando. Mandamos umas mensagens em segredo.

Convites de eventos. Confirmo todos. Se der eu vou, mas no dia eu vou estar com preguiça e arrumarei uma desculpa para não ir.

Sim, as famosas redes sociais te ajudam com a “socialização” atual. Você pode não estar na presença física, mas deu seu recado e assim segue a vida.

Com a chegada da vida adulta, acabamos não tendo tempo para nada. Ou melhor, temos tempo e não sabemos, pois preferimos pasteurizar tudo em mensagens e obrigações cyber-sociais.

Aí mora o erro. Faz quanto tempo que você não vê aquela pessoa que gosta? Quando digo ver, é ver mesmo, com os olhos, em três dimensões, tateáveis e com composição física, nada de hologramas e aparatos de realidade virtual.

Acabamos deixando de ir em festas, encontros e diversas atividades com pessoas reais por mera preguiça. Acostumamos não “perder” (PREFIRO CHAMAR DE GANHAR) aquela uma hora para uma bebida, um encontro ou qualquer coisa com um amigo, tudo porque estamos sempre correndo. Nos encontramos no fluxo, opa, beleza? Cola lá qualquer dia. Vamos marcar algo! Firmeza! E esse dia nunca chega.

O tempo passa, a distância vem e um dia você recebe a notícia que essa pessoa morreu. Você larga tudo. Telefona pro trabalho, avisa o curso, mas hoje você vai prestar as homenagens para a pessoa que simbolizou a amizade em sua vida. Nesse caso sim, perde o dia inteiro num velório, contabilizando o tempo que não passou junto e o que poderia fazer para recuperar.

Não importa, se é laço sanguíneo ou simplesmente de afeto (dos mais variados tipos), será que você está deixando alguém para trás? Quem fez a última ligação? Quem fez a última visita? Quem está abandonando o barco? Suas lágrimas no túmulo serão de saudades ou de arrependimento?

Virtual ou real? Tô no segundo e sempre com troco. Uso o primeiro, vivo o segundo. E você?

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