Medo

Every black cloud has a silver lining

Era uma vez um jovem,
Que vivia em uma vida de medo.

Medo de perder os pais,
medo de ser assaltado.

Medo de ficar desempregado,
medo de não ouvir um obrigado.

Medo de pegar trânsito,
medo de ouvir um disparo.

Medo de morar sozinho,
medo de morrer solteiro.

Medo de ter um filho,
medo de não deixar legado.

Medo de perder a hora para acordar,
medo de se arrepender por ter acordado.

E assim seguiu o jovem,
vivendo de medos.

Porém, algo sempre foi vago.
Viveu o jovem com medo de viver a vida,
Ou morreu com medo de não vive-la?

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Approaching Nirvana e a Revolução da Música Eletrônica

A->N

Meu gosto musical sempre foi puxado para o rock, mas sempre fui aberto a outros estilos: músicas clássicas, rap, pop, alguma coisa do indie e um pouco de música eletrônica. Na verdade eu era fã de Eurodance, sendo mais específico, onde vários artistas brilhavam por fazer uma música mais romântica e calma, com destaques para Gigi D’Agostino, Daft Punk, Cascada, Lasgo, Alice DeeJay, Kasino, Magic Box, Ian Van Dahl, Benny Benassi, Eiffel 65, enfim… só a nostalgia. Teve até uma época da minha adolescência que fiz uns remixes no Virtual DJ e estava começando a mexer no Fruit Loops, mas a mudança do cenário da música para o Psy/Trance me decepcionou bastante e desisti do hobbie. Essa minha decepção durou por longos anos, até conhecer o cenário underground da música eletrônica e me deparar com o Approaching Nirvana.

Andrew e Sam - Approaching Nirvana

Diferentemente dos grandes artistas com contratos de peso com gravadoras, o Approaching Nirvana produzia suas músicas de maneira independente, vendendo seus álbuns pela bagatela de U$ 10,00 na cópia digital (vendida no Bandcamp e Itunes) e Us 15,00 no CD com frete gratuito internacional. E as vantagens do trabalho da dupla ser independente, não paravam por aí: nas cópias digitais, você poderia baixá-las em qualidade .FLAC e comprá-las individualmente, o que era uma maravilha para os audiófilos. Além disso, todo o trabalho da dupla é disponibilizado no seu canal oficial no YouTube e pode ser usado em seus vídeos pessoais e em suas Streams no Twitch.TV, desde que você comprasse o álbum e fizesse uma dedicatória na descrição do vídeo. Ou seja: 10 dólares em uma cópia digital de um CD em alta qualidade, onde você poderia usar em seus vídeos, sem se preocupar com direitos autorais! Sem falar que, caso você não tivesse dinheiro para comprar os cds, poderia escutá-los gratuitamente no YouTube, e ajudar com o AdSense! Incrível!


Sam e Andrew

A história da dupla teve um início interessante. Tudo começou em 2009, quando Sam Willson (esquerda) e Andrew Sinclair (direita) fizeram um remix juntos via Skype para um evento, onde o público ouvinte gostou bastante do resultado e os dois decidiram gravar juntos. Na época, Sam morava na Flórida, Miami; e Andrew morava em Columbia, Maryland.

A>N respondendo meu Tweet

Mesmo assim, gravaram seu primeiro álbum em 2011, o Cinematic Soundscapes Vol. 1, e logo a comunidade contribuiu com doações para o projeto, fazendo assim alavancar o segundo album da dupla no mesmo ano, intitulado Lapse In Time. Logo o trabalho da dupla começou a ser exibido em alguns canais da TV americana, como MTV, VH1, Oprah Winfrey Network, e seus vídeos no YouTube estavam catalogados como a banda preferida dos canais gamers. Nisso, no mesmo ano foi lançado o terceiro álbum da dupla, o Subliminal Message, e logo em 2012 eles estavam no #1 lugar do Bandcamp como grupo independente, e em #4 lugar no Itunes no gênero Eletronic.

Em 2012, através de doações dos fãs, Andrew se mudou para Miami para morar e gravar junto com o Sam, e desde então foi uma avalanche de álbuns:

A->N - Capa do álbum Animals

O mais interessante da dupla, é a forma como eles fazem suas músicas: São feitas streams diariamente no Twitch.TV pelo Andrew, onde ele cria seus samples, batidas, voz, violão, teclado, tudo online e ao vivo. Enquanto a stream acontece, seus seguidores podem fazer doações via PayPal, e depois de alguns dias seguidos assistindo, percebe-se que existe uma comunidade entre os fãs e a dupla, onde todos conversam, interagem e ajudam na composição da música, dando dicas e idéias.

Derp - Mascote da dupla

Na minha opinião, este é o futuro perfeito para a evolução da música no sentido da arte. Veja o porquê abaixo:

  1. Não há preços abusivos em seus álbuns;
  2. Seus materiais são de uso livre desde que você contribua com a compra;
  3. Suas músicas são exibidas no YouTube caso não tenha grana pra contribuir;
  4. E caso você queira contribuir e participar das composições, as Streams são bem divertidas.

Muito diferente dos demais artistas do cenário eletrônico aí afora, que pagam para ter seu trabalho exibido e ter seu “sucesso” emplacado na TOP 100 DJ MAG.

A->N - Notes

Para concluir: na arte do álbum Notes (imagem acima), Sam escreveu diversas notas sobre como a música foi influenciada pelas pessoas ao seu redor, e sobre Andrew ir morar em Miami.

“Começamos a fazer música, porque queríamos estar em um lugar melhor na nossa vida; nós queríamos ser feliz. Estávamos a milhares de quilômetros de distância um do outro, e mesmo assim a música nos uniu. Nós vimos o quanto a música pode aproximar as pessoas. Todos nós viajamos nosso próprio caminho em busca da constante evolução para a felicidade. Vamos ser e sempre vamos estar se aproximando desse nirvana.” 

Aproveitando o gancho das notas do Sam na imagem acima: até a próxima! 😉

Publicado originalmente no Fonseca Labs – fonsecalabs.wordpress.com

Ir na Igreja me ajudou a ser um bom profissional de TI

igrejaeinternet
Sim, você leu corretamente: ir na igreja por toda a minha infância, me transformou em um bom Analista de Suporte Técnico de Tecnologia da Informação. Vou explicar o porquê.

Estava conversando com meus amigos e, em um certo momento, um deles estava tentando explicar a diferença de um blog hospedado no próprio WordPress, e de um blog hospedado em um servidor próprio, mas gerenciado por WordPress. Nisso, apareci com a seguinte analogia para auxiliá-lo:

Imaginem assim: o servidor é o hardware, o WordPress é o Sistema Operacional, e o domínio é a licença pra usar o Windows original. Simples.

Nisso, ele elogiou a explicação dizendo que “o didatismo era um dom”. Porém, imediatamente discordei. Sempre utilizei de parábolas, analogias, pra explicar os assuntos relacionados a tecnologia, e adquiri essa habilidade ao frequentar a igreja. (Pudera. Fui pra igreja por 20 anos da minha vida! Alguma coisa tinha que aprender lá!)

E, se analisarmos, existem diversas parábolas na bíblia: A Parábola do Bom Samaritano, A Parábola do Filho Pródigo, A Parábola do Semeador… só no Novo Testamento, são 40 parábolas no total!

O legal é que tudo isso – acredite se quiser – foi um aprendizado por osmose, pois nunca parei para estudar a Bíblia, como também nunca a li do início ao fim. Mas por ouvir constantemente suas parábolas, acabei adotando o costume e empregando-o constantemente em minha vida profissional. E funciona!

Como dizem os mais velhos, com a sabedoria que só a idade ensina: “Tire lição de tudo na sua vida.” 

Tenham uma boa semana. 😉

O Universo e o Vórtice da Perspectiva Total

Os astrofísicos são pessoas engraçadas. Inteligentes, mas na maioria das vezes engraçadas. Aliás, físicos no geral são engraçados. E as vezes até chatos. Digo isso por causa das calorosas discussões que estes tem quando o tema em pauta é “A Dimensão do Universo”.

Alguns cientistas dizem que o universo é finito, enquanto outros afirmam este ser infinito. Até Einstein participou dessa discussão, teorizando que o universo era finito!

Mas sendo o universo finito ou não, de algo temos certeza: o universo é algo realmente grande. Mas tipo, grande meeeeeesmo. Tipo, pra caralho! Mas a pergunta fundamental deste post é: como ter a noção da grandeza que tem o universo? Para isso, vamos tentar mostrar abaixo uma parte desta grandeza. Isso vai ser divertido. Apertem os cintos!

Na obra prima de ficção científica de Douglas Adams – O Restaurante no Fim do Universo (1980) – da trilogia O Guia do Mochileiro das Galáxias, certa vez foi criado uma máquina para demonstrar o tamanho do universo, o Vórtice da Perspectiva Total. O curioso foi o motivo para a criação da máquina. Segue o trecho do livro abaixo:

O homem que inventou o Vórtice da Perspectiva Total o fez basicamente para irritar sua mulher.
Trin Tragula – esse era seu nome – era um sonhador, um pensador, um filósofo ou, como sua mulher o definiria, um idiota.
E ela o enchia sem cessar por conta do tempo absurdamente longo que ele dedicava a observar o espaço, ou a meditar sobre o mecanismo dos alfinetes de segurança, ou a fazer análises espectográficas de pedaços de pão-de-ló.
– Você precisa entender a dimensão das coisas! – dizia ela, umas 38 vezes em um só dia.
E então ele construiu o Vórtice da Perspectiva Total – só para mostrar a ela.
Em uma ponta ele conectou a totalidade da realidade, extrapolada a partir de um pedaço de pão-de-ló, e na outra conectou sua esposa, de modo que, quando ele colocou a máquina para funcionar, ela viu em um único instante toda a infinidade da criação e viu a si mesma em relação a tudo.
Trin Tragula ficou horrorizado ao descobrir que o choque havia destruído completamente o cérebro de sua mulher. Contudo, para sua satisfação, ele compreendeu que tinha provado de uma vez por todas que, se a vida deve existir em um Universo desse tamanho, a única coisa que não se pode dar ao luxo de ter, é o senso de proporção.

Ou seja: o universo era tão vasto, mas tão vasto, que a nossa existência no universo era o mesmo que nada, irrelevante, fazendo assim o cérebro da mulher derreter ao compreender de fato a situação! Mas ainda assim, vamos tentar explicar de outra forma, agora com um exemplo da vida real:

Certa vez foi observado pelos cientistas em Setembro/2003 que havia um ponto negro perto da lua, dez vezes menor que o seu tamanho, e decidiram colocar o lendário telescópio espacial Hubble para capturar toda a luz que pudesse deste ponto por quatro meses, e o resultado foi a imagem abaixo. Nela, ele faz uma comparação dos planetas do nosso sistema solar com as maiores estrelas já vistas. Depois, ele mostra tudo o que foi capturado no ponto focado pelo Hubble. Mesmo que você não saiba falar inglês, as imagens falam por si só.

A Dimensão do Universo

Deu pra ter uma pequena noção da dimensão do universo? Acho que sim, né? hahaha.

Portanto, a resposta para a pergunta fundamental deste post sobre como ter a noção da grandeza que é o universo, é a própria resposta dada pelo Douglas Adams em seu livro: a única coisa que não se pode dar ao luxo de ter, é o senso de proporção.

Espero que gostem do tema de hoje. Aliás, as vezes me pergunto até que ponto a ficção imita a vida, ou o contrário, porque olha…

Até a próxima!

O homem e o tempo

O homem e o tempo

 

O que é exatamente o tempo?
Bem, o dicionário Michaelis tem uma opinião sobre o tempo:
“tem.po – substantivo masculino (do latim tempu) – Medida de duração dos seres sujeitos à mudança da sua substância ou a mudanças acidentais e sucessivas da sua natureza, apreciáveis pelos sentidos orgânicos.”

A filosofia também tem um conceito sobre tempo, onde o filósofo Agostinho concluiu que se o tempo fosse sempre e não transcorresse para o passado, não seria mais tempo, mas eternidade. É exatamente nesta parte que o tempo me fascina. Seguindo o raciocínio de Agostinho sobre o conceito de tempo, este existe quando há passado, presente e futuro; e que este só existe na mente das pessoas.

Ou seja: para existir tempo, deve existir o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, isto é, a intuição atual de que o tempo existe; e o presente do futuro, ou seja, a espera do que está por vir. Percebe-se também, que o passado, presente e futuro, só existem enquanto estão no presente! Interessante, não? Veja a seguir.

Se o tempo é algo que só existe na mente das pessoas, logo o tempo é relativo. E se este é relativo, ele também está em constante evolução, assim como os humanos! Hoje, de acordo com a relatividade de seu cotidiano, o mesmo tempo pode se transformar e ter outros efeitos em situações diferentes.
Talvez agora ditados como ‘só o tempo irá dizer’ ou ‘carpe diem’, façam mais sentidos. Ou não.
Aproveite o seu tempo. 😉

Outro tipo de preconceito

Todos temos os nossos próprios demônios, nossos próprios problemas. E foi ao observar meu primo de 10 meses de idade, que observei o quanto certos demônios, mesmo após anos mais tarde, ainda assombram minha vida. Hoje vou seguir um conselho do aclamado comediante Louis C.K. e vou sair da minha zona de conforto, que é fazer posts nerds abordando tecnologia e jogos.

Sobre a família

Vim de uma família problemática. Minha mãe engravidou deste que vos escreve aos 15 anos de idade e na época meu pai tinha 24 anos. Ambos irresponsáveis. Minha mãe cabulava o ensino fundamental pra ficar com rapazes, e meu pai cabulava a escola pra ficar na rua. Terminou que ambos não completaram o ensino fundamental. Bem, deu pra perceber que a minha vinda ao mundo não foi muito bem planejada, não é? Ou como eu gosto de lembrar: fui o fruto de uma ‘rapidinha’ com a filha da vizinha que deu errado.

Na verdade, o problema de uma família estruturada não parava em meus pais. Minha avó materna não tinha parentes. Tinha sido adotada na infância pra trabalhar como empregada de sítio por uma família em Sergipe,  e depois de toda exploração trabalhista infantil, veio para São Paulo procurando uma vida nova. Já meus avós paternos, a situação era mais complicada. Meu avô largou a esposa com os 6 filhos para viver a vida dele, em uma pequena cidade de Minas Gerais.

Quando eu nasci, fui adotado pela minha avó materna. Minha mãe na época só pensava em baladas e rolês, e meu pai fazia de conta que eu não existia. E é aqui que chegamos na origem dos meus problemas. Minha avó era uma mulher pobre, acabando de comprar o próprio barraco em uma favela de Osasco. Moramos no mesmo local por 20 anos de idade. Aliás, ainda moramos aqui. Não na mesma casa de pau a pique com problemas de infiltração, mas em uma casa bem estruturada com um bom espaço para uma família de 3 pessoas: minha avó, minha tia e eu.

Nos meus 12 anos, minha mãe decidiu sair de casa após diversas brigas com a minha avó. Na verdade, até eu com minha pouca idade, não concordava com o tipo de vida que minha mãe levava. No total eram 7 filhos. Eu, o mais velho, vivendo com a minha avó e mais 6 meninas, sendo que destas, 2 moravam com a avó paterna. Hoje eu posso encontrar com a Talita e a Tamires na rua, e não vou reconhece-las.

Sobre o preconceito

Comecei a ir pra igreja desde criança com a minha avó. Aos 7 anos de idade, fui aprender violino e estudar música clássica, mas minha avó não tinha condições financeiras de me dar um instrumento. Aprendi e toquei até os 12 anos de idade com um violino emprestado pela igreja, visto que eu não podia comprar um. No ano seguinte, eu era mente em evolução: queria trocar do violino pra viola clássica e já me imaginava tocando violoncelo também, mas isso me trouxe novos problemas na igreja, visto que mais uma vez eu não podia arcar com os custos de um instrumento novo. Acabou que ganhei de presente da igreja uma viola clássica, e após uma longa conversa com os responsáveis da igreja, tive que me contentar com esta e descartar a possibilidade de aprender violoncelo.

Até meus 16 anos de idade, eu não era bem aceito na comunidade da igreja. Era o garoto pobre da favela, e só tinha mais 2 amigos da comunidade que se encaixavam em um perfil financeiro como o meu. Era aceito na comunidade por ser músico. Aliás, ser músico era um problema. Na igreja, músicos devem usar ternos para tocar com a orquestra e eu só tinha um único terno para usar em todos os cultos que eu participava da igreja.

Fui bem educado pela minha avó, e isso foi fundamental para minha adolescência. Mesmo com um único terno, aos 16 anos de idade eu era impecável, bem arrumado e educado, e com isso fiz boas amizades com alguns adolescentes. Porém, nunca arrumei uma namorada. Mesmo bem arrumado ao ponto de fazer o Barney Stinson ter orgulho de minha pessoa, os boatos corriam, e nenhuma garota queria namorar ou sair com um garoto pobre. E isso seguiu até os 20 anos de idade, quando decidi abandonar o barco e sair da igreja. Estava abandonando não só um princípio religioso, mas também meu hobby de músico. Tinha decidido de que não valia a pena aturar isso e outros absurdos que existem em uma comunidade evangélica.

Na escola não era muito diferente. No sexto ano do ensino fundamental, minha tia tinha ganhado de aniversário 2 cachorros labradores filhotes, e a gente não tinha condições para criá-los, então decidimos doar ambos. Nisso, encontrei em minha turma de sala, 2 irmãs gêmeas que queriam adotá-los, porém mal sabia que elas iriam buscar os cachorros em casa. Na semana seguinte, a sala toda sabia que eu morava em um barraco, e foi uma das humilhações que tive que aturar. Sem contar as piadinhas. Eu tinha alguns amigos sinceros e foi bom contar com um apoio na época. A maior parte dos comentários vinham por parte das garotas da sala, mas o que eu podia fazer? Life goes on, right?

E no que eu pensei hoje ao olhar para meu primo? Que ele não vai precisar passar por muitas humilhações como estas que eu tive que passar. Sobre fazer um curso técnico e ter que ir 2 semanas a pé para a escola de Osasco até a Vila Leopoldina, quase 3 horas andando. Sobre ter que passar o final de semana na casa do amigo pra poder utilizar o computador dele, para poder fazer trabalhos do curso técnico de programação. Sobre ter medo de trazer alguma namorada ou garota em casa para apresentar para minha avó, com medo dela não gostar da minha casa ou da minha vida e me dispensar. Na verdade, só trouxe uma garota na minha casa quando era um barraco e fui eternamente grato por isso não mudar os sentimentos dela para comigo.

Tive quem me ajudou nesse caminho todo e sou eternamente grato por isso. Pelo Denis, por me emprestar seu computador e sua casa aos fins de semana para que eu pudesse estudar; pelo José, Davi e Bruno, por serem meus amigos de infância e terem me apoiado em todos esses problemas; pela Elizabeth, a única garota que eu trouxe na minha casa, por ter me ajudado com dinheiro para condução ao saber que eu estava indo estudar a pé; e a uma senhora da igreja que até hoje eu não sei seu nome, mas que também doou algum dinheiro para minha avó para que eu pudesse estudar.

E eu espero que isso nunca se repita para meu pequeno primo e um possível filho que eu possa ter algum dia. Foi doloroso ser um adolescente que não tinha um video game, um computador, ou que não podia ir ao Play Center com a turma da escola. De fato, muita coisa se repete: minha tia, mãe do meu referido primo, não casou com o pai dele, então ela trabalha 12 horas por dia pra dar o melhor para garoto. Logo, minha avó tem que cuidar do pequeno. Mas enfim, quem tem uma família perfeita?

Minha ideia neste post não foi viver mágoas passadas, mas sim retratar um outro tipo de preconceito que existe na sociedade. Alguns anos atrás, eu teria vergonha de conversar sobre tudo isso. Mas parafraseando o Chorão: “Um dia a gente cresce, conhece a nossa essência e ganha experiência, aprende o que é raiz e aí cria consciência.”.

Postei esse texto originalmente em meu blog, e compartilho aqui com os Interferentes essa experiência de vida. Até a próxima.