Você sabe por que acredita em Deus? Série Provocações – Parte II

Dirão alguns: “eu não acredito”; outros: “tenho minhas dúvidas”; os mais exaltados: “isso é uma blasfêmia”, “esse vai queimar no mármore do inferno” (risos).

Brincadeiras a parte, poucas pessoas dedicaram um tempo de suas crédulas vidas preciosas para ao menos “divagar” sobre o assunto. O processo é natural: nascemos e já temos um deus pronto para ser seguido. E para turbinar nossa crença, ainda buscamos uma religião que não seja muita “pesada” em seus princípios ou até o contrário, uma mais rigorosa, mais densa em suas doutrinas, pois “o caminho para o céu é uma porta estreita”.

Por infeliz conclusão, é justo dessa busca, desse contato com a religião, que nasce e me parece aumentar mais a intolerância e discriminação religiosa. Mas enfim, esse ponto é diálogo para outro dia.

verdades

Com muito ou pouco sofrimento, seguimos nessa caminhada da salvação, rumo ao Sião Celestial, à Terra prometida. Mas, poucos de nós paramos para pensar: por que acreditamos em Deus? O que me fez ter essa escolha?

Fomos educados para acreditar? (influência)

Se não acreditarmos vamos para o inferno? (medo)

É a melhor escolha a ser feita (vai que…)? (insegurança)

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, talvez incomodado ou apenas curioso de sua própria crença, se viu a perguntar: “Deus criou o homem ou o homem criou Deus?”. Essa pergunta pode até parecer perigosa, soa herege, antissemita (risos). Mas não o é. Muito pelo contrário, ela nos faz pensar com mais franqueza a respeito das nossas crenças.

A religião Cristã usa a Bíblia como livro sagrado para fundamentar sua argumentação da existência de Deus e ditar ensinamentos para se chegar à salvação. Mas, quem escreveu a bíblia? Por que existem livros da Bíblia ainda ocultos?

A Bíblia não narra Jesus Cristo na sua juventude, apenas seu nascimento e sua maturidade, já convertida ao propósito de salvador. Mas, quem foi Jesus, como homem e não como Cristo? Não terá sido ele um homem como nós, com fraquezas, errante? Por que esconder essa parte?

Além disso, como confiar 100% nas inúmeras traduções bíblicas, se considerarmos que “toda tradução é uma traição”, pois ela perde a essência do dito original para ganhar um significado equivalente na língua para a qual está sendo traduzida?

Se a Bíblia é a base da crença em Deus, como é crer em algo que cheira a manipulado, articulado com pretensões que podem não ser verdadeiras? Pô, nessa hora até a “fé” parece fragilizada, carecida de uma verdade verdadeira (isto é um pleonasmo proposital).

Mas por favor, não me crucifiquem! Não estou aqui para contestar ou defender nenhuma crença. A intenção é apenas provocar uma reflexão que vise a descoberta por conta própria da origem da (sua) fé.

Percorri esse caminho, surgindo minhas primeiras indagações aos 15 anos, que se estenderam até os 25 anos – mais ou menos – para enfim encontrar a minha resposta interna (não que ela seja verdadeira para o mundo, mas é para mim). Em algum momento cada qual encontra seu caminho, e que seja feliz por ele.

O que vale é buscar entender a origem dessa fé, e nessa busca podemos se deparar como o escritor português José Saramago, que “todos os dias tenta encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontra”.

Ou seu compatriota, o poeta Fernando Pessoa, que em um dos seus brilhantes poemas encontra-o em condições distintas do conhecido cristianismo:

[..]

Não acredito em Deus porque nunca o vi.

Se ele quisesse que eu acreditasse nele,

Sem dúvida que viria falar comigo

[…]

Mas se Deus é as flores e as árvores

E os montes e sol e o luar,

Então acredito nele,

Então acredito nele a toda a hora,

E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos – Poema V” – Heterônimo de Fernando Pessoa.

Volto a dizer, o que vale é a busca, o benefício da dúvida é saudável e faz-nos descobrir em nossa essência, o quanto somos crédulos realmente e não pessoas manipuladas ou engessadas por dogmatismos ilógicos e preconceituosos.

É isso aí, nessa onda de corrupção que estamos, não seja vítima dos discursos que visam corromper sua natureza, pense por si (Ops, adiantei o assunto do próximo e último texto desta série…).

Boa sorte na sua caminhada!

O que posso Imaginar?

foto: Benjamin Earwicker
foto: Benjamin Earwicker

por: Camila Sandes

O que posso imaginar da vida
se, ao final, o brilho vira ferida,
o vendaval toma conta da brisa
e me vejo perdida e só na avenida?

O que posso imaginar dos sonhos
se, ao final, o príncipe vira um sonho medonho,
o pranto transforma o rosto risonho
e acordo perdida e só no quarto tristonho?

O que posso imaginar de você
se, ao final, nem seus versos posso ler,
o brutal desdém me faz o engrandecer
e me encontro perdida e só ao anoitecer

Aracnofobia

Aracnofobia
Aracnofobia

“O horror visível tem menos poder sobre a alma do que o horror imaginado. ”
William Shakespeare

Possivelmente essa semana eu vou perturbar muita gente, pois essa é a fobia mais comum. Para quem se identifica com este medo, acredito que esta ilustração materializa o que de pior pode acontecer e me faz entender as palavras de Shakespeare. Deixarei que o próprio desenho fale por mim por meio da nudez do medo; porém, se existe um medo que eu acredito que possa ser usado de escada é esse, ao menos pode garantir a sua sobrevivência em algumas situações.

Sou o mesmo Virgilio Silveira, entretanto resolvi criar uma nova identidade para a minha arte.

Se não houver riscos,
Há vazios

Eita!

por: www.sxc.hu
por: http://www.sxc.hu

Por: Dolores da Silva

O que é mistério?
Sei que não sei de nada
É algo que não imaginei
E nem é tão sério assim.

O que é amor?
É uma droga estimulante
Não é lícita
E muito menos ilícita
É apenas viciante.

O que é saudade?
Lembrei-me de tudo num instante:
E eis o momento aqui
Agora mesmo, no presente
Só fica o que é importante.

O que não é saber?
O que é sentir?
E o que é não esquecer?
Eita!
Só queria escrever.

Amar a ti

amar a
Por: Ana Kaline Vital

Amar a ti
é encontrar-me em uma esquina vazia.
é ciência
é excesso…
amar a ti é infinito,
não métrico…
não é abstinência,
mas a dor machuca tanto quanto.
é incerto…
é suicidar-se e renascer em cada verso.
Tempo: Imutável e perpétuo
E assim sendo
Nos muda
E limita.

O entorpecer das palavras

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Por: Camila Sandes

O cheiro das palavras
Que saem da sua boca
São como uma maldição
Impregnando na minha roupa
E quando o inalo
Me inebrio de imediato.
Me contorço e, suado,
Adormeço sem embalo.
E, em meio à névoa
Do breu e do sonho,
Minha mente se confunde…
Não sei a cor,
Não vejo a forma.
Só sei que me ilude
De tal forma que
Me embebedo com o gosto
Doce e viciante da acidez
Da sua saliva que envenena meu coração