Você é capaz de pensar por conta própria? Série Provocações – Parte III

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Em um primeiro momento você pode pensar que sim, ou talvez nem tenha parado para pensar a respeito ou nem se importe.

Mas, para mexer com sua curiosidade, provocar sua atenção, faço a pergunta: somos capazes de pensar por conta própria?

Sem rechaçar a indagação como o personagem Zaratustra, do filósofo alemão Nietzsche – que exaltado com seus seguidores, por apenas ouvirem sem refletir sobre suas dissertações, os expulsou para longe de si – vamos conduzir o tema na sua possibilidade de discussão e reflexão, tão somente.

Aos 15 anos, li pela primeira vez o Discurso de Método do filósofo, físico e matemático francês René Descarte, podendo sentir, mesmo que inseguro, a prevalência da mensagem, da forte exortação à busca do conhecimento por meio de uma única palavra: duvide.

Duvide de tudo. Tire a prova de tudo e só acredite em algo após ter eliminado todas as dúvidas possíveis.

O livro é uma delícia de leitura e nele Descartes, entre as diversas explicações, faz-nos entender o processo de construção do pensamento, que usaremos como plano de fundo deste texto.

Quando nascemos, a sociedade já está “pronta” com seus valores, seus princípios morais e éticos e nossos pais são os primeiros a nos influenciar, por meio da transmissão desses princípios na nossa educação.

Esses princípios geralmente estão associados a alguma religião, portanto, podemos notar que nosso pensamento já começa a criar uma forma seguindo essas orientações transmitidas pelos nossos pais, que por si aprenderam na religião.

E por último os professores, responsáveis por transmitir o conhecimento das ciências gerais e incentivar nosso desenvolvimento cultural, são também participantes ativos – as vezes nocivos – da formação do nosso pensamento.

Claro, temos exceções, como toda regra, e alguns tem mais contatos com os professores, outros os pais nem são religiosos, porém, não se pode negar a existência desse costume e inclusive a ordem como somos educados.

Portanto, dessa rede de influências externas a nós, quando chegamos à idade adulta, não pensamos por conta própria. Reproduzimos os pensamentos transmitidos por nossos pais, por ensinamentos apreendidos nos cultos religiosos e nos casos mais raros, pelo conhecimento adquirido na escola, por professores.

Dessa “educação” desdobram-se algumas concepções, que nos mostram porque as pessoas têm comportamentos preconceituosos, conservadores, outras já são “modernas”, radicais ou não estão nem aí com nada.

Fato é: não paramos para pensar sobre o nosso (próprio) pensamento.

Somos conduzidos pela ilusão da abiogênese do pensamento e não perscrutamos a origem deste; seguimos recalcitrantes “como ovelhas ao matadouro”, como se pensar fosse um atentado à paz de espírito, algo irrelevante e despropositado, como a própria constatação da “geração espontânea” do pensamento.

É lamentável, mas como disse William Shakespeare “toda situação por mais frágil que pareça sempre tem dois lados”, ou seja, essa triste constatação fez que um escritor mineiro produzisse um belíssimo texto, chamado “Lugares Comuns”.

Lugares comuns, de Fernando Sabino, é a percepção da decadência de criatividade, da repetição de expressões conhecidas, que servem de muleta para alcunhas estereotipadas, sem essência, com zero de originalidade.

Talvez você esteja pensando agora: mas é impossível ser isento de uma influência, a gente tem que seguir algo, acreditar em algo. Não tiro sua razão.

E para não ser controverso, uso meu próprio texto como exemplo, uma vez que nele cito pouquíssimos dos muitos autores que influenciaram meu pensamento, que hoje me fizeram pensar o que estou escrevendo a vocês agora.

Não posso ser conivente em aceitar que ser original, pensar por si, é impossível.

Existe sim uma possibilidade, sendo ela tão somente uma mudança de comportamento: sair da zona de conforto, ter atitude.

Não é fácil abrir mãos de princípios, de “verdades prontas” que nos foram ensinadas por nossos pais, por pessoas que nos amam, mas que se pensarmos, as vezes nem conhecem a proveniência do que transmitiram e, por inocência, afeição, creem dar-nos o que há de melhor apreendidos por eles.

Duvidar, experimentar, buscar compreender porque pensamos como pensamos, porque acreditamos como acreditamos pode não ser uma decisão simples, mas nem por isso deve ser descartada.

Nem por isso também devemos ter atitudes extremistas, sermos incrédulos ou no pior dos casos, arrogantes.

Clarice Lispector tem um comentário que contrapõe brilhantemente essa lógica cartesiana da dúvida: “entender não tem limites”, em contraposição que “entender é limitado”, ou seja, uma vez entendido, acabou. Não tem mais graça.

O que chamo sua atenção é para compreender: sentir o quanto você é influenciado e o quanto você tem de oportunidade para explorar sua originalidade.

Esse texto é o último dos outros dois anteriores (Parte I e Parte II) da Série Provocações, que busca de modo similar ao Convite à Filosofia, da filosofa e historiadora brasileira Marilena Chauí, convidar vocês para refletir.

Com autoconhecimento, descobrimos a origem das nossas crenças, dos nossos pensamentos e mesmo que notemos influências externas, sabemos distingui-las e reconhecemos nossa própria essência, nossa originalidade.

Espero que você tenha gostado e se tiver sugestões para abordamos, fique à vontade para escrevê-las nos comentários.

Obrigado!

Manda nudes, por favor! Vamos falar de sexo?

Vamos falar de sexo?

Hoje é dia do sexo e amanhã dia da independência. Acho que tem tudo a ver, não é mesmo?

Eu como mulher e escritora sobre as diversas formas de relacionamento, me sinto bem a vontade para falar sobre esse assunto. Bom, quero contar a vocês sobre algumas experiências e pontos de vista dessa vidinha que levamos hoje em dia.

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Primeira coisa: o significa a palavra sexo? Alguém sabe?

1 – Conjunto das características corporais que diferenciam, numa espécie, os machos e as fêmeas e que lhes permitem reproduzir-se. 2 – Exercício sexual praticado a partir de 2 seres, em busca de prazer ou reprodução.

Agora vamos falar um pouco de história. A princípio, o sexo servia somente para a reprodução, até para os seres humanos. Depois, mais adiante, passamos por um período onde homens precisavam de prazer, diversão e buscavam por sexo com escravas, cabarés e bordéis. Passamos por períodos em que a mulher não podia e não deveria ter prazer, pois era considerado pecado, os gays não podiam sonhar em ser eles mesmos, pois também eram discriminados. Adiante, nos anos 80, muitos dos tabus sexuais já tinham sido derrubados e tivemos problemas com a propagação de HIV e doenças sexualmente transmissíveis. Nos anos 90, a mulher começa a ter um pouco mais de voz ativa; anos 2000 temos um grande número de homossexuais se assumindo.

E agora, em nossos tempos de 2015, depois de tantas lutas que foram vencidas, os gays ainda sofrem preconceito e as mulheres ainda são tratadas como pedaços de carne. Se transamos no primeiro encontro, não servimos para casar; se demoramos demais para transar, somos muito santas e os caras nos traem, pois não podem esperar; se vemos filmes pornô, somos putas; se tomamos conta da situação na hora H, somos putas; se falamos de sexo, assim como os homens fazem, somos putas; se nos masturbamos, adivinhem?! Somos putas. Ou seja, tantos anos se passaram e o prazer que conta ainda é do homem. Tem cara que não está nem aí para você – tudo bem que você as vezes pode não estar nem ai pro cara também – só que sexo está além. É o corpo a corpo, é a entrega e eu não estou falando de amor, de paixão, de estar apaixonada. Estou dizendo de cuidado com o outro. A mulher também sente prazer e, pode ter certeza, se ela está ali com você na cama, no chão ou seja aonde for, ela também deseja gozar. Ela quer mais, ela quer o orgasmo da vida dela.

Então, cuidado com o que você faz. O prazer deve ser compartilhado. Os dois devem estar na mesma sintonia. Não seja individualista e pense só em você, sinta a moça verdadeiramente. Lembre-se sempre que sexo é uma via de mão dupla. Outra coisa: se rola sexo no primeiro encontro é porque a garota está a fim, e se ela está a fim é justamente porque você e a vontade dela a fizeram querer transar. Isso não significa que ela não sirva para casar (se ela quiser né! Cada um tem seus planos). Ela tem sentimentos iguais aos seus, então faça com que esse momento seja prazeroso, pois pode ser a primeira vez de muitas ou a última e, ter boas lembranças, recordações e parâmetros é sempre bom.

Não trate uma mulher na cama como uma vadia se ela não quiser – e se ela quiser, não significa que ela queira ser tratada assim sempre. No mercado publicitário, falamos sempre sobre estudar e entender o público-alvo. Essa é uma das coisas que mais faço na minha vida, seja profissionalmente ou na vida pessoal, nos inúmeros tipos de relacionamentos que temos em nosso dia a dia, incluindo a família, colegas de trabalho, amigos, paqueras… em qualquer um deles temos seres humanos com sentimentos e aflições. Precisamos entender o que cada um deseja e em qual vibe ele ou ela está naquele momento.

Leve em consideração uma filosofia de vida minha: cada sujeito é livre para ser e fazer o que desejar. Você pode ter lido esse texto até aqui e chegado à conclusão de que sou feminista e não eu sou a favor de cada um ser e escolher o que quer que seja. Sou a favor do direito de escolha sem julgamentos hostís. Se a mulher que ver pornô, ok; Se ela quer casar e ter filhos, ok; Se ela deseja ser dona de casa, ok; se ela manda nudes, ok também. Eu sou a favor da sociedade parar de ser hipócrita e julgar os seres humanos por coisas tão bobas. Só porque a mulher se masturba ela está cometendo pecado e você homem acha nojento? Acha errado, mas você pode? E nós, temos que aturar? A pessoa está errada por ser gay?

Vamos raciocinar um pouco mais e lutar por coisas que realmente valham a pena, como o fim das guerras e da fome, por mais educação, e não por escolhas que não alteram em nada na sua vida. Temos de respeitar a todos. Você, querida leitora e leitor que está chegando ao final deste texto comigo não é obrigada(o) a concordar com todas as minhas palavras – mas respeitar sim. O meu pedido é: vamos emanar o amor, vamos ver o lado do outro, vamos nos amar mais, fazer mais sexos sensacionais, vamos ser e fazer o que queremos respeitando sempre o próximo e, por favor, seja sincero com você e com o outro!

Muito obrigada por chegar até o fim, compartilhem aqui sua opinião, suas aflições e suas experiências. Vamos discutir, debater, conversar… estou à disposição!

Beijos e até a próxima!

PS: Se quiser me xingar mais, ou contar algo mais secreto, pode mandar e-mail rana.rodrigues@hotmail.com fechado?! Obrigadinha, pessoal.

Caiu na net! Pais e filhos

Whatsapp é foda. Se não configuramos o aplicativo para evitar os downloads involuntários, acabamos lotando a memória do celular com um monte de tralhas, sem falar o trabalho que dá pra se livrar de tudo depois.

Dentre as coisas recebidas, com certeza uma boa parcela é de pornografia. Tem ainda aqueles caras que acumulam “caminhões” de fotos e vídeos pra mandar tudo de uma só vez. Já cheguei a receber listas enormes, de travar o celular antes de achar o fim (ou o começo).

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No meio da pornografia, é comum receber casos de “caiu na net”, como fotos que supostamente seriam da filha do humorista Leandro Hassum, que recebi semanas atrás. Ela teria posado nua para que o seu namorado a fotografasse. O cara acabou mostrando pra alguém, que mostrou pra alguém, que mostrou pra alguém… resultado: chegou até mim! E não vieram sozinhas. Vieram com prints de notícias, dizendo que a garota teria sido expulsa do colégio onde estudava, no Rio de Janeiro. Para evitar consequências mais graves – e até para zelar pela imagem de Hassum – a história acabou aí. Alguma noticia aqui ou acolá, nada além. Mas nem sempre é assim.

Além da filha do humorista, existem casos de pessoas não famosas que passam por esse constrangimento, fruto da irresponsabilidade de quem se deixa ser filmado ou fotografado e de quem está por trás das câmeras.

São muitos os casos que recebemos e, se já chegou até nós, significa que já está rodando a rede inteira e não há muito o que fazer. Mas, sinceramente, tenho me sentido incomodado com certos casos em que os pais fazem vídeos “corrigindo” filhos, que na verdade foram vítimas dessa prática cada vez mais comum.

Ninguém quer passar por um constrangimento desses. Acho que todo mundo se arrepende do que fez no fim das contas, a menos que tenha sido de propósito, o que não descarto, afinal, tem muita gente querendo se tornar celebridade da noite pro dia. Mas, protegidos por um senso comum – e pra aparecer também, convenhamos – esses pais, tentando compensar a vergonha que passaram, gravam vídeos batendo nos filhos e os disseminam pelas redes sociais, criando uma cadeia de constrangimentos, que, além de não solucionar o problema, cria uma “cultura de correção”, onde cada vez mais menores são sexualmente expostos e mais pais adotam medidas como essas.

Violência e repressão nunca resolveram nossos problemas mas, infelizmente, vivemos numa sociedade que acha que bandido bom é bandido morto e não se permite pensar sobre como se originou um problema para, a partir daí, combater as causas e não as consequências. As pessoas preferem dar as “soluções mais práticas”. É muito mais fácil matar do que reformar. É mais fácil bater do que educar. É muito mais fácil remediar do que prevenir e muitas vezes só o remédio não funciona. É preciso uma mudança de hábitos, uma reeducação, coisas que a agressão não é capaz de ensinar.

Outra característica nociva desses vídeos é que nunca é um homem apanhando dos pais. É sempre uma menina. Até hoje, não recebi nenhum vídeo de um pai ou mãe batendo num filho, sinal de que julgam, com certeza, que há uma barreira moral maior para as mulheres do que para os homens. O que estão viralizando pela rede não é simplesmente um vídeo de castigo aos filhos, é violência barata e machismo.

Portanto, se você receber um vídeo desses, não repasse. Você pode estar tanto prejudicando alguém quanto sendo vítima, porque a pessoa do vídeo pode estar querendo se promover às suas custas. Não promova a violência; não promova o machismo.

Você sabe por que acredita em Deus? Série Provocações – Parte II

Dirão alguns: “eu não acredito”; outros: “tenho minhas dúvidas”; os mais exaltados: “isso é uma blasfêmia”, “esse vai queimar no mármore do inferno” (risos).

Brincadeiras a parte, poucas pessoas dedicaram um tempo de suas crédulas vidas preciosas para ao menos “divagar” sobre o assunto. O processo é natural: nascemos e já temos um deus pronto para ser seguido. E para turbinar nossa crença, ainda buscamos uma religião que não seja muita “pesada” em seus princípios ou até o contrário, uma mais rigorosa, mais densa em suas doutrinas, pois “o caminho para o céu é uma porta estreita”.

Por infeliz conclusão, é justo dessa busca, desse contato com a religião, que nasce e me parece aumentar mais a intolerância e discriminação religiosa. Mas enfim, esse ponto é diálogo para outro dia.

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Com muito ou pouco sofrimento, seguimos nessa caminhada da salvação, rumo ao Sião Celestial, à Terra prometida. Mas, poucos de nós paramos para pensar: por que acreditamos em Deus? O que me fez ter essa escolha?

Fomos educados para acreditar? (influência)

Se não acreditarmos vamos para o inferno? (medo)

É a melhor escolha a ser feita (vai que…)? (insegurança)

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, talvez incomodado ou apenas curioso de sua própria crença, se viu a perguntar: “Deus criou o homem ou o homem criou Deus?”. Essa pergunta pode até parecer perigosa, soa herege, antissemita (risos). Mas não o é. Muito pelo contrário, ela nos faz pensar com mais franqueza a respeito das nossas crenças.

A religião Cristã usa a Bíblia como livro sagrado para fundamentar sua argumentação da existência de Deus e ditar ensinamentos para se chegar à salvação. Mas, quem escreveu a bíblia? Por que existem livros da Bíblia ainda ocultos?

A Bíblia não narra Jesus Cristo na sua juventude, apenas seu nascimento e sua maturidade, já convertida ao propósito de salvador. Mas, quem foi Jesus, como homem e não como Cristo? Não terá sido ele um homem como nós, com fraquezas, errante? Por que esconder essa parte?

Além disso, como confiar 100% nas inúmeras traduções bíblicas, se considerarmos que “toda tradução é uma traição”, pois ela perde a essência do dito original para ganhar um significado equivalente na língua para a qual está sendo traduzida?

Se a Bíblia é a base da crença em Deus, como é crer em algo que cheira a manipulado, articulado com pretensões que podem não ser verdadeiras? Pô, nessa hora até a “fé” parece fragilizada, carecida de uma verdade verdadeira (isto é um pleonasmo proposital).

Mas por favor, não me crucifiquem! Não estou aqui para contestar ou defender nenhuma crença. A intenção é apenas provocar uma reflexão que vise a descoberta por conta própria da origem da (sua) fé.

Percorri esse caminho, surgindo minhas primeiras indagações aos 15 anos, que se estenderam até os 25 anos – mais ou menos – para enfim encontrar a minha resposta interna (não que ela seja verdadeira para o mundo, mas é para mim). Em algum momento cada qual encontra seu caminho, e que seja feliz por ele.

O que vale é buscar entender a origem dessa fé, e nessa busca podemos se deparar como o escritor português José Saramago, que “todos os dias tenta encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontra”.

Ou seu compatriota, o poeta Fernando Pessoa, que em um dos seus brilhantes poemas encontra-o em condições distintas do conhecido cristianismo:

[..]

Não acredito em Deus porque nunca o vi.

Se ele quisesse que eu acreditasse nele,

Sem dúvida que viria falar comigo

[…]

Mas se Deus é as flores e as árvores

E os montes e sol e o luar,

Então acredito nele,

Então acredito nele a toda a hora,

E a minha vida é toda uma oração e uma missa,

E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos – Poema V” – Heterônimo de Fernando Pessoa.

Volto a dizer, o que vale é a busca, o benefício da dúvida é saudável e faz-nos descobrir em nossa essência, o quanto somos crédulos realmente e não pessoas manipuladas ou engessadas por dogmatismos ilógicos e preconceituosos.

É isso aí, nessa onda de corrupção que estamos, não seja vítima dos discursos que visam corromper sua natureza, pense por si (Ops, adiantei o assunto do próximo e último texto desta série…).

Boa sorte na sua caminhada!

Conheça o “vazio” que há dentro de você – Série Provocações – Parte I

O silêncio que antecede o caos é o natural vazio das coisas, é o olhar mais sensibilizado da essência. É a própria essência.

E o que é a essa “coisa”? A “coisa” dita aqui é entendida na perspectiva do filósofo francês Émile Durkheim, como um “fato social”, o acontecimento do dia a dia. O caos? É o ruído, o movimento das massas humanas, o seu andar, o seu caminhar, o seu pensar. É todo o verbo na sua mais simples significação. Mas, o que quero dizer com isso? O silêncio que antecede nossos hábitos de vida, nossa rotina, é o vazio natural que existe na sociedade, em nós?

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Somos o “fato social”, o agente do caos (como diria o personagem Coringa, do Batman), responsáveis por tornar as “coisas” reais, no modo de percebemos essa realidade que vivemos.

E quando vamos explorar o vazio, analisá-lo com mais atenção, nos assombramos. Tipo, rola uma inquietação, um certo vazio interior, que chega mexer com nosso emocional. Alguns sentem frustração.

Mas, o vazio não é ruim, é natural, é vislumbrante!

Imagine: você chega a sua casa, se coloca em um lugar sozinho, com a luz apagada, fecha os olhos, sem celular, sem som, sem nada. Qual é a sensação? Parece loucura, tem gente que não aguenta 5 minutos. Que agonia dá ficar só, em silêncio.

Usando o conceito geral do filme Matrix (pode ser qualquer um da trilogia), estamos sempre conectados. Sempre ligados, escrevendo no WhatsApp, curtindo ou compartilhando no Facebook, postando uma foto no Instagram (exemplos).

Não dedicamos um mínimo de tempo para o silêncio, para estar com nosso interior, ausente de todas as coisas externas.

Já percebeu isso? Agimos como se fôssemos um grande bebê medroso e carente. Não podemos ficar sós. Temos medo de nós mesmos. Não procuramos ter autoconhecimento: saber quem somos e ainda mais, saber quem é o outro (fora da realidade virtual).

Outro grande estudioso, psicólogo grego, chamado Viktor D. Salis, em uma das suas explicações do Processo de Formação do Homem Grego na Antiguidade, diria que para se tornar “homem”, isto é, uma pessoa íntegra, consciente de si, é necessário fazer dois  mergulhos: um dentro de si e depois um dentro do outro.

Este mergulho é outra forma de explicar a célebre citação “conhece-te a ti mesmo”. Ou seja, se eu me conheço, sei o que penso, de onde vem esse pensamento, ninguém vai me enganar, me iludir. E também saberei o que tenho de bom, o que tenho de ruim na minha natureza, quais são meus limites, se tenho limites.

Imagine ter consciência disso. Diga-me, seu modo de ver o mundo, de olhar o outro, de pensar no outro, não seria diferente? Você poderia ter mais segurança em si. Não sentiria medo. Sentir-se-ia mais “dono” do seu destino, das suas escolhas. Com isto, penso que estaríamos mais preparados para viver em sociedade. Posso estar errado, você pode discordar e ter suas razões. Se quiser compartilhar, estamos aqui para dialogar.

Para encerrar, só tenho a dizer que isso tudo é muito louco!

Então, pare com esse medo de si. Desconecte-se da Matrix um pouco. Você conhecerá um vazio que bem pensado, não é vazio (parece contraditório, mas não é), pois esse vazio é o todo, somos parte do todo, estamos conectados ao universo (não só ao universo virtual). Como no filme Avatar, lembra-se? Você está ligado a tudo.

Saia do casulo, levante essa bunda do sofá em frente à TV, da cadeira frente ao computador, da cabeça abaixada para o celular.

Vamos viver de verdade?!

Dia Mundial do Rock!

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Dia Mundial do Rock

Hoje, dia 13 de Julho, é o dia mundial de um dos ritmos musicais mais ricos e populares de todos os tempos. Hoje é Dia Mundial do Rock!

Para quem gosta de Rock, como eu, todo dia é dia de ouvir Rock’n Roll, seja no conforto de casa, no seu fone de ouvido à caminho do trabalho ou faculdade… sempre existe um disco apropriado para qualquer momento, dada a variedade de estilos e linguagens dentro desse gigantesco universo do Rock.

Apesar de gigante, o Rock, nos últimos 20 anos, vem perdendo espaço no mainstream, tanto no mercado nacional quanto no mercado global por vários motivos, como a falta de novas ondas de Rock – a última onda relevante foi a onda Emo, há 10 anos atrás – uma estética marcada e um público que dificulta a inovação dessa estética – o Emo sofreu grande preconceito da própria comunidade rockeira – mas, acima de tudo, vejo a queda do Rock como uma questão de conveniência. No Funk Carioca e na música eletrônica, tendências que ganharam grande mercado nos últimos tempos, é mais fácil produzir uma música e não é pela questão da criatividade artística, mas sim pela questão de acesso aos recursos. Pra ter uma banda de Rock é preciso ter e saber tocar guitarra, baixo, bateria, entre outros instrumentos. Nesses outros estilos, as vezes basta ter e saber manusear um computador (coisa que todo músico precisa hoje em dia).

O Rock sempre será grande, mas acho natural que tenha perdido espaço. A juventude já não ouve Rock como antigamente e manter essa grandiosidade nas próximas gerações, em termos de público, será uma dura tarefa.

Assim, o Rock, cada vez mais, vai se aconchegando no mercado underground. O mercado brasileiro não é diferente. Já toquei em muitas bandas de Rock, tenho a minha experiência com o mercado e sei que, apesar de haver uma quantidade absurda de gente que gosta de ouvir Rock, apesar do sem número de bandas produzindo discos, os shows e eventos estão cada vez mais vazios. Será que o público está carente de uma onda no Rock e por isso não sai de casa para ir aos shows? Será que falta organização? O que é que falta pro circuito do Rock ter mais autonomia?

Pay to play

Uma prática comum do cenário underground do Rock. O famoso pagar para tocar. Isso se torna possível porque existe muita gente querendo tocar, mas não existe público para consumir esses shows. Sabendo disso, donos de casas e produtores se aproveitam para organizar shows onde é preciso vender uma cota de ingressos, garantindo o lucro da casa e dos contratantes. Muitas vezes, a banda nem sequer ganha um percentual sobre a venda desses ingressos. Eu mesmo já fui vítima desse sistema e decidi que não faria mais parte dele.

O problema não é vender ingresso. O problema é a inversão de valores e de papéis. Enquanto em outros estilos as bandas ganham seu cachê e os contratantes lucram sem tanta preocupação com o público – porque sabem que haverá movimento – no Rock, nesse sistema pay to play, as bandas, além de atuarem como promoters do evento, acabam não ganhando nem como artista e nem como promoters. Isso quando a banda não consegue vender a cota acertada e tem de tirar dinheiro do próprio bolso. Daí o termo pay to play. Mas isso só acontece por falta de…

Organização

Se existe tanta banda e tanta gente que ouve Rock, então porque é que não existe um cenário decente?

Quero ressaltar aqui que, por ter feito parte da cena, também assumo a culpa desses problemas. Se existisse um movimento de colaboração das bandas, seria possível não depender de casas e produtores. O problema aí é que esbarramos em outro obstáculo: o estrelismo.

Já participei de festivais onde não precisei vender ingresso e sentia que era decente ajudar a coisa acontecer divulgando, levando público e, o mais importante, prestigiando as outras bandas. Apesar disso, muitos artistas tocavam e, além de não levar público, simplesmente iam embora após suas apresentações, sem ao menos se importar em fazer contatos com os outros artistas. Sempre me pareceu que essas pessoas, só por estarem com uma guitarra pendurada no pescoço, achavam ser rockstars. Isso porque muitos desses “músicos” nem se preocupavam com a…

Qualidade do trabalho

Já vi de tudo. Banda que tocava com instrumentos desafinados, cantores desafinados, arranjos mal acabados… muitos não entendem que é preciso enxergar música como profissão mas, além disso, enxergar o Rock como música. Muita gente está mais preocupada com a foto da banda no Facebook do que com os riffs de guitarra, com os arranjos.

Não estou dizendo que promover não é importante, e nem que uma banda iniciante é obrigada a tocar como uma banda de gravadora. Mas é preciso que se crie uma consciência da importância da qualidade de seus trabalhos. Sem essa consciência, por mais que o público não entenda tecnicamente de música, não é difícil distinguir o que é bem feito do que não é. E não é questão de gosto, é questão de cuidado mesmo. De dedicação, esmero. Isso tudo prejudica a assiduidade do público. Ajustando esses pontos, é possível que as bandas realmente sejam…

Bandas Independentes

Na verdade, sempre condenei esse rótulo. Parece que essas bandas não dependem de ninguém e talvez isso só contribua para a mentalidade de estrelismo. Eu prefiro dizer que as bandas são muito dependentes. Dependentes das outras bandas, de um cenário solidário, do público, enfim… Todo apoio é bem-vindo. A banda independente de verdade é a banda que tem uma gravadora. Essa banda se preocupa somente em criar, gravar e tocar. Tem um produtor que posiciona a banda no mercado e ajuda nos arranjos, tem um empresário que fecha shows, a gravadora cuida da produção e distribuição do disco. Ou seja, a banda pode se preocupar exclusivamente em tocar e pode canalizar todas as suas energias na música. Só depende do desempenho dela mesma para fazer bons shows.

Mas, com organização, poderia-se alcançar um cenário underground auto-sustentável. Aí sim, acho que o rótulo caberia. Sem precisar almejar grandes gravadoras, rádio e televisão, o trabalho das bandas teria seu espaço e sua audiência. Alcançando tudo isso, quem sabe uma boa parcela dos jovens começasse a ouvir mais Rock. As bandas atuais ganhariam mais espaço e isso ajudaria a derrubar a…

Mentalidade “antiguista”

Se existe uma coisa que atrapalha a manutenção cultural – e me irrita profundamente – é a hipervalorização do ontem. Isso não é exclusividade do Rock, mas existe uma boa parcela de roqueiros que simplesmente não se dão a mínima oportunidade de ouvir uma banda atual e ainda são capazes de bradar chavões como “o rock morreu”, “já não se faz rock como antigamente”, “ah, como era bom na minha época”, e etc… Esse discurso é de uma leviandade tremenda.

Hoje em dia existem bandas para todos os gostos. É muito importante conhecer sim os clássicos – muitas bandas que tocam por aí sequer se preocupam com a bagagem cultural – mas, muitas bandas antigas já nem existem por seus integrantes terem brigado ou morrido. O trabalho é eterno, o ser, não. Já não podemos ver um show dos Beatles ou do Led Zeppelin.

Para que o Rock sobreviva, é preciso dar oportunidade às pessoas que estão fazendo e ainda acreditam no Rock e digo mais: para uma coisa ser realmente significativa para alguém, é preciso que seja vivenciado. Se o Rock não produzir mais movimentos que envolvam as pessoas, o sentimento será só de nostalgia. Aliás, a nostalgia só existe porque essa emoção de estar envolvido, de viver o momento, um dia existiu. A saudade não é do disco e do artista. Temos saudade da emoção.

Não escrevo esse texto esperando ser o guru do cenário do Rock. Na verdade, tenho certeza que muita gente enxerga tudo o que eu escrevi. E muitos podem até discordar. Mas todos concordamos em querer que um dia nossos filhos, netos e bisnetos possam, como nós, gritar: viva o Rock! Então, só para não perder o costume…

Viva o Rock!

Jesus, Viviany Beleboni e a cruz

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Jesus, em hebraico Yeshuá, filho de Maria e José, saiu de casa com cerca de trinta anos, para ser batizado no rio Jordão por João Batista.

Ao sair das águas do rio, os céus se abriram e ele viu descer sobre ele o Espírito Santo em forma de pomba e ouviu uma voz dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mat. 3:17).bloodied-on-cross

Após o batismo, o Espírito Santo conduziu Jesus ao Deserto, entregando-o para que Satanás o tentasse. Fato ocorrido três vezes, onde Jesus não sucumbiu aos encantos mesmo após um Jejum de quarenta dias e quarenta noites, sem citando que “A lei do seu Deus está em seu coração; os seus passos não resvalarão” (Sal. 37:31).

Assim começa a vida de pregação e ensinamentos do Jesus que conhecemos, quando ele volta para a Galileia e ao retornar para sua cidade, Nazaré, foi recebido por cidadãos cheios de ira, graças ao seu comentário na sinagoga: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos, a apregoar o ano aceitável do Senhor” (Is. 61:1). Assim ele diz que a profecia se fez.

Já dizia meu avô: “Santo de casa não faz milagre” e assim, os nazarenos o expulsaram da cidade e tentaram jogá-lo do alto da montanha da qual Nazaré ficava. Numa manobra de fuga, Jesus consegue fugir para Cafarnaum, onde começou morar. (Mat 9:1).

Mesmo Jesus tendo feito o bem em terras judias, muitos chamavam-no de comilão, lunático, bêbado, depravado, enganador de pessoas, príncipe dos demónios, um pecador que violava o sábado, um blasfemador que se dizia Filho de Deus, se fazendo igual a ele.

Antes mesmo de seu calvário, Jesus já martirizava em vida.

“Não julgueis que vim trazer paz a Terra; não vim trazer-lhe paz, mas espada; porque vim separar o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e os inimigos do homem serão os seus mesmos domésticos” (Mat 10: 34-36), só que ele se apresentou como um humilde servo que aparentemente não tinha nada de diferente dos outros homens.

Jesus sofreu e chorou, foi traído (muito antes do famoso beijo de Judas), caluniado, rejeitado, sendo um “homem de dores, e experimentado nos trabalhos” (Is. 53:3). Sacerdotes e Fariseus (os chefes religiosos da época) decretaram que ele deveria morrer.

Jesus tinha um preço? Sim. Trinta moedas de prata, prometidas a Judas Iscariotes, caso ele entregasse seu mestre aos guardas.

No Horto das Oliveiras, como um bandido qualquer, Jesus foi capturado e abandonado por todos os seus discípulos. Mais uma vez Jesus estava só.

Os membros do Sinédrio o condenou à morte, pelo crime de blasfêmia. “É réu de morte” (Mat. 26:66), disseram. Cuspiram em seu rosto, lhe deram socos, o espancaram enquanto diziam: “Profetiza-nos, ó Cristo, quem foi que te bateu?” (Mat. 26:68).

Depois desse vilipêndio, foi levado para Herodes, que o mandou para o governador Pôncio Pilatos, para que ele autorizasse a sua crucificação. Pilatos não via nada que fosse digno de morte, mas sobre a pressão dos Fariseus, Sacerdotes, Escribas e forças políticas locais, resolveu que o apresentaria para a troca da Páscoa, onde um criminoso era libertado. Escolheu Barrabás, o pior ladrão da época, acreditando que o povo escolheria Jesus para a liberdade.

A multidão pediu para crucificar Jesus. Pilatos então mandou que o açoitassem e depois o crucificassem.

Seu martírio não acaba aí. Soldados o levaram para o pretório e o vestiram de púrpura, lhe puseram na cabeça uma coroa de espinhos e prostrando-se diante dele o zombavam dizendo: Salve, rei dos Judeus! E lhe batiam e cuspiam.

Foi levado para Gólgota, onde o pregaram na cruz, rasgaram suas roupas, tiraram o poder de ficar com sua túnica na sorte, agonizou enquanto foi escarnecido por aqueles que passavam lá, incluindo sacerdotes, escribas e anciãos os quais lhe diziam: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mat. 27:42-43).

Antes de morrer, Jesus”: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mat. 27:46), e naquele momento um dos que ali estavam correu, tomou uma esponja, ensopou-a em vinagre e fel, deram-lhe de beber”.

Assim, Jesus morreu na cruz, mas bem antes disso, já estava sendo morto e representava aqueles menos favorecidos, o povo que era mal visto, o povo que “não tinha honra para fazer parte do reino dos céus).

Um homem rico, pediu o corpo de Jesus a Pilatos, que lhe deu permissão de retirar o corpo da cruz. Este homem era José de Arimatéia, que tomou o corpo de Jesus, o envolveu num sudário de linho e o colocou em seu sepulcro. Desta forma Jesus desceu a mansão dos mortos.

Muitos homossexuais saíram de casa, foram expulsos de seus lares, de suas cidades, foram motivo de piada e vergonha para seus pais, sofreram chacotas, foram chamados de lunáticos, bêbados, depravados, enganadores de pessoas, endemoniados, pecadores, blasfemadores, entre outras coisas. Homossexuais já estavam sendo crucificados bem antes da última parada gay de São Paulo.

No meio de tanta discórdia e inúmeras notícias de violência por questões homofóbicas, surge a modelo transexual Viviany Beleboni, de 26 anos e que na 19ª Parada do Orgulho LGBT apareceu crucificada, com uma placa escrito: Basta de homofobia.

Não era um Jesus crucificado, mas sim milhares de homossexuais assassinados no mundo, milhares de seres humanos desrespeitados, milhares de pessoas que assim como Jesus estão martirizando, estão morrendo dia após dia graças ao preconceito. Não foi uma questão religiosa, foi uma questão de dor.

Após o fato, Viviany está recebendo ameaças de morte, em sua página pessoal em uma rede social, diz: “Negócio está ficando sério, recebendo ligações de morte, e agressões inúmeras”, tudo isso de pessoas que dizem AMAR Jesus. Poucas horas depois publicou um vídeo onde dizia que seu objetivo era representar as dores de todas as travestis, que são crucificadas o ano todo”.

Muitos (inclusive homossexuais) taxaram a atitude de blasfêmia e falta de respeito, coisa de mundano, pecador, entre outras coisas que me lembram outra história.

Viviany escreveu ainda que “Jesus morreu por todos e foi humilhado, motivo de chacotas, agredido e morto, que é o que vem acontecendo diariamente com GLBTs, por não termos leis”. Olhando os dois casos e analisando os fatos que acontecem com todos os homossexuais no mundo, vejo que quanto mais ciência temos, menos consciência tomamos e a história se repete, pois a cada dia alguém é “pegado para Cristo”.

Poderia repetir a história de Jesus, trocando seu nome por “Mulher”, “Cigano”, “Negro” e agora “Homossexuais”, mas prefiro que as pessoas possam ver os fatos e quiçá escreverem o final de uma outra forma.

Já disse o poeta: “Se Jesus voltasse, ele seria preso num poste de força”. Dica de filme: Projeto Judas. É a visão que tenho de como seria se Jesus voltasse.

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Sexo, cristianismo e a crise criativa da arte

O Êxtase de Santa Teresa, de Gian Lorenzo Bernini

Há alguns dias atrás, conversava com meu professor de violão sobre a história da música, do instrumento e de várias outras questões que me deixavam dúvida. Fomos da diferença entre orquestra sinfônica e filarmônica, passamos por Igor Stravinsky até chegarmos na música contemporânea (é. Viajamos!). Eu perguntava a respeito de alguma nova tendência ou corrente artística musical que poderia estar rolando, já que meu professor é concertista e entende bem do mercado da música. Por isso, seria a pessoa ideal pra identificar algo que estivesse a germinar por aí. Mas a resposta dele (e mesmo eu que não tenho uma visão tão ampla, já esperava ouvir isso) foi que hoje em dia não há nada de novidade na linguagem musical. A própria música eletrônica, que talvez tenha sido a última novidade sonora importante, já data de décadas. No máximo, o que existe são experimentalismos, misturando coisas que já existem. Um museu de grandes novidades, como já notava Cazuza.

Isso me fez, é claro, questionar o que é óbvio diante dessa questão. Será que vivemos uma crise criativa na música?

Estudando história da música, lembro-me que o Maxixe, que é um ritmo brasileiro que pegou no final do século XIX e começo do século XX, era mal visto porque sua forma de dançar era considerada indecente. Por conta disso, os compositores escreviam seus Maxixes sob o rótulo de Tango Brasileiro para poderem compor sem serem, de repente, taxados de imorais ou coisa do tipo. Esse tipo de preconceito sempre existiu no mundo da música e, com certeza, em todos os segmentos da arte.

O fato é que esses preconceitos sempre foram vencidos, justamente porque surgiu algo mais revolucionário do que o Maxixe, que, por sua vez, passou a sofrer preconceito até que se tornasse algo normal. O Samba já sofreu isso. O Rock já sofreu isso. Hoje, quem sofre esse mesmo preconceito é o Funk Carioca (a partir de agora, irei me referir ao ritmo só como Funk).

O Funk sofre preconceito, principalmente, pelo conteúdo de suas letras. Não pretendo discutir as qualidades musicais, poéticas e capacidade de revolução artística do Funk neste texto. Entretanto, o conteúdo das letras do Funk é mais um indicador da crise criativa da música.

Na época do Maxixe, a dança insinuava o sexo, mas nas entrelinhas. Hoje, o Funk fala abertamente de sexo sem nenhum pudor.

O sexo é um dos assuntos intocáveis dentro da cultura ocidental, fortemente influenciada pelo cristianismo. Acredito até que seja o assunto mais evitado de todos. No Brasil, cerca de 87% da população se diz cristã. Nos Estados Unidos, algo em torno de 72% a 80%. Se, dentro dessa realidade, o Funk fala de sexo sem o menor medo nem tabu, significa que a igreja não mete medo em mais ninguém há muito tempo. Mas não somente isso. Se somos uma sociedade cristã onde o sexo é veementemente oprimido e, mesmo assim, esta ferida está sendo irritada sem a menor dó,  com a unha do dedo indicador, significa que já não há mais muitos assuntos pra serem explorados artisticamente, que vão causar grande furor no meio artístico e, por consequência, na sociedade. O sexo é um dos últimos assuntos.

Claro, estamos falando da arte massificada, porque não é de hoje que o sexo é retratado na arte. Mas nunca tão abertamente, sem nenhum tipo de eufemismo e com um alcance tão grande, praticamente ignorando o cristianismo, que é responsável por construir os mais sérios valores da sociedade ocidental.

Eis que me peguei percebendo em como, não só na música, mas em todos os segmentos artísticos, existe essa falta de corrente revolucionária. E mais. Na moda, já nem usamos mais roupas. No audiovisual, a última moda tem sido o pornô revenge no Whatsapp e outras mídias sociais, com fotos e vídeos pra quem quiser ver. No teatro, se faz sexo em cena, até mesmo com a plateia. Tudo já chegou no sexo escancarado.

Há quem veja a falta de uma corrente forte e revolucionária como a democratização da arte. Agora todos temos voz e a consequência disso é um mercado segmentado, cheio de gente de vários estilos e várias correntes de pensamento. Pra mim, esse mercado fatiado é formado por correntes que um dia foram revolução, mas que hoje só são nostalgia. Um dia foi revolução. Mais uma vez, o museu de grandes novidades. Já o aspecto negativo da falta de uma corrente revolucionária é a sensação que dá. Sensação de que não há mais grandes revoluções pra acontecerem.

A música – e a arte em geral – veio vagarosamente quebrando o tabu do sexo, desde lá detrás, antes do Maxixe, até passar por, por exemplo, pelo Axé e chegar no escancaramento do Funk. Logo logo, o Funk vai se tornar normal e, imaginando um futuro não tão longínquo, quando isso acontecer, me cutuca a pulga atrás da orelha: será que a arte não nos chocará mais? Será que por isso, perderá seu poder de revolucionar o pensamento e o comportamento humano? Qual será agora o papel da arte?

Eu espero que outras pessoas já tenham se enganado escrevendo textos parecidos com este meu, acreditando, na época do Maxixe e de outras ondas, que já tínhamos feito tudo o que havia pra ser feito. Eu espero, sinceramente, que eu seja só mais um que esteja redondamente enganado. Que apareça alguém e cale a minha boca pra sempre. Alguém que inutilize meu texto e que me faça passar vergonha, pra eu nunca mais ter coragem de escrever texto parecido. Ah, que bom seria se esse alguém fosse eu mesmo!

Pra finalizar, queria dizer que é ótimo podermos falar de sexo, hoje em dia, como a coisa comum e humana que ele é. Sem tabus. Mas, lembre-se: não faz muito tempo, falar de sexo era um grande tabu e isso se refletia claramente no comportamento humano. Isso me fez lembrar dessa publicidade do Itaú que deixo ao final. Já no começo, vemos o casal declarar traços desse comportamento. Quanto tempo você demora, hoje, pra pegar na mão de alguém de quem você está “a fim”?

Panelaço, coxinhas, manifestações e suas contradições

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A miscelânea continua. Conta-se com a presença de celebridades, os saudosistas do período militar, os revoltados contra a corrupção, os exaltados contra o partido do PT, além dos afoitos comentários de caráter malevolente e desrespeitosos à “pessoa” da Presidenta Dilma Roussef e ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

São compreensíveis as reivindicações e sou consoante para com algumas. São manifestações genuínas, contrárias aos procedimentos adotados pelo atual governo, tendo em vista os diversos escândalos envolvendo membros que compõem a máquina do estado. Falcatruas, roubos, planos de ações inviáveis… quem gosta disso?!

Mas, por outro lado, sinto as contradições discursivas que se apoiam na insatisfação popular: celebridades que se auto promovem com a roupagem “do povo”, quando estão apenas preocupadas em manter o que têm. Os pedidos de intervenção militar, aparentemente esquecidos da realidade de quem viveu ou soube postumamente a respeito dos efeitos da ditadura, onde ninguém teria a possibilidade de se mostrar partidário a qualquer interesse. Dos corruptos membros do PT – a especificidade partidária é salientada devido ao contexto atual e por ser comprobatória – desconsiderando o lençol de corrupção que cobre nosso país desde sua formação – como se em algum momento houvera um partido incorruptível. E aprofundando um pouco mais, na singularidade cotidiana dos “pequenos” atos: na hora de “molhar” as mãos do guarda de trânsito para evitar uma multa, do “passar o pano” para o amigo no trabalho, do desviar da blitz após ter “tomado umas”, “furando” a fila… a lista é grande. E mais absurdo ainda é chamar uma pessoa de “vaca”, de “cachaceiro”, “burro”, entre outros adjetivos torpes, é totalmente incoerente ao discurso de quem pede moralidade na política e não tem atitude cívica e educação básica.

Quando a lei 4.330 (terceirização dos serviços) foi aprovada, não vi uma única celebridade, um único participante que esteve na abertura da Copa do Mundo – mostrando o quanto somos “pobres” ao xingar nossa chefe de Estado, ao invés de agir com maturidade politizada – não vimos nenhum dos grupos como o “vou pra rua”, “revoltados online”, “movimento Brasil livre” e outros mais se manifestarem CONTRA a aprovação desta…
A lista de deputados está cheia de assinaturas do PMDB, PSDB (aos “aecianos” encurralados entre as avalanches de indignações e o maniqueísmo midiático falsamente solidário aos cidadãos mais empobrecidos financeiramente, leiam a lista e vejam os partidos e nomes dos aprovadores dessa lei) e notem que ninguém está preocupado em promover condições favoráveis e possibilidades de ascensão dos menos favorecidos. Essas contravenções são partidárias, têm objetivos controversos ao apoio (e apelo) popular.
Não seja massa de manobra. Pense! Analise! E não se deixe enganar: quem tem, mais quer ter; quem não tem, nem sabe o que é ter.
Precisamos de reforma política e não de colarinhos brancos no poder (como já tivemos).

O carnaval acabou, mas a folia continua…

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Foto: Davi Nogueira

E na passarela desfila faceira a Inflação, toda pomposa, subindo lentamente acompanhada pela Crise Econômica, que afoita pelo enredo chamou a Crise Hídrica, mas esta, pega de surpresa, teve que improvisar. Mudou até o tema: “água mineral, água mineral, você vai ficar legal” – se conseguir tomar banho sem ser de sal – É… a Operação Lava Jato não tem água o suficiente para jogar na galera animada, que se contorce no sol de quase 40 graus para pegar o próximo “passinho” de R$3,50 que vinha sendo tocado pelo “Partidão” da minoria assalariada. Lembrou-me o “samba do crioulo doido”: é bagunça no cenário político, econômico e social. E a folia continua… A Porta Bandeira com uma lucidez maluca, dança em um “balança pra lá, balança pra cá, sacudiu, tremeu, e o povo é quem se fu… Gil (e) cantou para lembrar-nos não só da nossa rica cultura, mas principalmente da máfia do transporte. E quem se importa? Deixemos essa sofrência de lado e vamos seguindo com o som do “gordinho”, que chega junto agitando com a galera do trote bonzinho, #sqn, pois nesse morre gente. Mas, esqueçamos as mortes e voltemos à bagunça, vamos dar uma olhada ali naquela casa e BBB 2015, uma cerveja com teor de 60 tons de cinza e gosto vil. O clima está tão quente quanto no Nordeste do Brasil.

E falando em aquecimento Global, a rainha da bateria dos baixinhos, sorridente, passou e nos deu tchau. Que novidade, tem gente da alta entrando por outro C.Anal. Assunto sem importância nenhum, circulando no meio virtual. O que realmente importa é a base, a nossa grande família, que elegeu o Cunha como melhor sambista, na Câmara da Bem (mal) Feitoria. Eita, eita cabra da peste, não quer nada legalizado que se preste a discutir. Está certo, acabou-se!
O carnaval 2015 morreu, mas a folia permanece. O samba do crioulo doido só começou. É cair na folia, queimar o salário e as calorias, dar boas risadas, encher a cara, gastar dinheiro nos (im) postos pra pegar cerveja e beber até a última gota, pois ainda tem muita festa e a Cantareira já está subindo.