Ei, amigo, você tem nome?

Bom dia motorista! E aí cobrador, tudo bem? Nossa professor, encontrei ontem por acaso a merendeira, que saudade, que da hora era o tempo na escola. Legal menino! E você nem dava muito sentido na época, vivia na diretoria. O quê! O inspetor, que não era o bugiganga, mas muito bacana, sempre dizia: “coitado desse moleque, pensa que engana”… Ah, saudades da minha infância!

Agora, já crescido, são novos grupos, novos amigos. Começa pelo porteiro, gente boa demais. Depois a chefia, gente fina… Vem uma galera acompanhando: supervisores, gerentes, vendedores, coordenadores, diretoras e diretores, gentes cheias de predicativos, que no entanto, parecem não ter nome. Até os mais divertidos: “Ei garçom, traz mais uma cerveja” – Ô moço, termina logo com isso, fecha a conta, o dono quer ir embora. Ah, e como esquecer aquele uniforme. A garçonete sempre muito sorridente e simpática, pronta a servir mais uma dose; “É claro que estou afim!” e vou pela noite, pela rua com seus moradores sem nomes ou números, é mesmo um absurdo, tanta gente que conheço e desconheço ao mesmo tempo! Tantos substantivos que pergunto por que precisamos disso? Sou eu quem sem nome sobrevivo nesse mundo maluco de adjetivos. E você, o que acha disto?

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