Dia do Folclore

O que entendemos por folclore? Quando se escuta a palavra folclore, o que vem à cabeça? No meu caso, lembra-me de estar na escola colorindo desenhos do Saci ou da Mula-sem-cabeça e do Sítio do Pica-Pau Amarelo. No dia 22 de agosto é comemorado o dia folclore no nosso país e resolvi saber um pouco mais sobre essa data, saber se ela se resume a essas minhas recordações ou se há algo mais.

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O significado da palavra folclore é: conjunto de tradições e manifestações populares constituídos por lendas, mitos, provérbios, danças e costumes que são passados de geração em geração. A palavra tem origem no inglês, em que “folklore” significa sabedoria popular. Ela é formada pela junção de folk (povo) e lore (sabedoria ou conhecimento). O folclore é o produto da cultura de um país e por isso cada país tem elementos únicos de folclore. No Japão, por exemplo, há lendas sobre criaturas misteriosas e sobrenaturais, conhecidas como Yokai ou Youkai.

Em suma, o folclore serve para que o povo possa compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um país, podemos compreender o seu povo. E assim conhecemos, ao mesmo tempo, parte de sua história.

O Brasil é o um dos países que tem um dos folclores mais ricos do mundo, tendo como base ao longo dos anos os índios, europeus e negros vindos da África. Esses diferentes povos influenciaram em nossa cultura e consequentemente em nosso folclore, em canções de ninar que são passadas de pais para filhos, cantigas de roda, brincadeiras, jogos, lendas e mitos, superstições, artes e muitas outras coisas. Além disso, as danças e festas típicas como a Festa do Boi (do Boi-bumbá ou Bumba-meu-boi que recebe outros nomes dependendo do estado) a Festa Juninas, Carnaval, o Maracatu, os utensílios usados por nossos antepassados para caça, pesca, artesanato e entre outras coisas, tudo isso é considerado parte do nosso folclore.

Como tudo no Brasil, o folclore só começou a ter atenção de seu povo por influencia externa. A elite nacional em meados do século XIX começou a perceber que o Brasil tinha algo de bom, mas não por causa de um sentimento nacionalista, mas porque naquele período estava em voga o Romantismo, movimento cultural que prestigiava as singularidades e as diferenças, consagrando os vários povos e tradições como objetos dignos de atenção intelectual. Naquele momento, acompanhando a mesma onda de interesse pela cultura popular que crescia na Europa e nos Estados Unidos, alguns estudiosos brasileiros, como Celso de Magalhães, Sílvio Romero e Amadeu Amaral, passaram a pesquisar as manifestações folclóricas nativas e a publicar estudos sistemáticos, lançando no país os fundamentos do folclorismo, a disciplina que estuda o folclore, que ainda precisou de um século para conquistar prestígio no mundo acadêmico brasileiro.

A partir desse primeiro interesse pelas tradições orais, depois se passou a estudar a música, e mais tarde as festas e outras manifestações. Ao mesmo tempo, diversos artistas ligados à elite passaram a empregar elementos da cultura popular na criação de suas obras, estimulado o governo de Dom Pedro II, usou esse movimento como símbolos nacionalistas que poderia contribuir para a afirmação do Brasil entre as nações civilizadas. Esse impulso nacionalista rendeu ainda maiores frutos com o advento do Modernismo, quando o folclore passou a ser visto como a verdadeira essência da brasilidade.

220px-Arte-moderna-1922Mário de Andrade, um dos líderes do Modernismo brasileiro, foi um grande pesquisador do folclore nacional, procurando colocá-lo em diálogo com as ciências humanas e sociais, que naquela altura nasciam no país. Outros nomes influentes ligados ao movimento modernista, como os pintores Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral e o músico Villa-Lobos, também incorporaram elementos folclóricos em suas obras de maneira destacada. Mário teve a oportunidade de agir oficialmente pelo folclore, criando a Sociedade de Etnologia e Folclore quando dirigiu o Departamento de Cultura do Estado de São Paulo entre 1935 e 1938.

Na década de 50 essa movimentação se multiplicou em larga escala, atraindo outras figuras ilustres como Cecília Meireles, Câmara Cascudo, Edison Carneiro, Florestan Fernandes e Gilberto Freire, além de estrangeiros como Roger Bastide e Pierre Verger. O movimento folclorista nesta época encontrou a consagração institucional maior na Comissão Nacional de Folclore, fundada em 1947 por Renato Almeida, através de recomendação da UNESCO, vinculada ao Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura e à própria UNESCO.

A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) Fundada logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de contribuir para a paz e segurança no mundo, através da educação, da ciência, da cultura e das comunicações, tenta salvaguardar o patrimônio cultural e sensibilizar o povo para a importância da herança folclórica e necessidade de preservação da cultura popular e o folclore era visto como elemento de compreensão entre os povos, incentivando o respeito pelas diferenças e permitindo a construção de identidades diferenciadas. Como disse Cavalcanti, o Brasil de então “orgulhava-se de ser o primeiro país a atender à recomendação internacional no sentido da criação de uma comissão para tratar do assunto”.  Em 1951, A Carta do Folclore Brasileiro foi escrita e ela é um conjunto de conceitos e recomendações a respeito da proteção, divulgação, documentação e pesquisa do folclore brasileiro, foi feita durante o I Congresso Brasileiro de Folclore, realizado no Rio de Janeiro, de 22 a 31 de agosto daquele ano.

Como podemos ver, o processo foi longo e bastante trabalhoso, mas podemos concluir que folclore é algo maior que as lendas e mitos que aprendemos com nossos pais e avós e que ele compõe nossa identidade como povo brasileiro. Então, viva ao folclore!

Curiosidades:

– Em 2005, no 2º mandato do então governo Lula, foi criado o Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro. Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem. A data, recém-criada, concorre com a forte influência norte-americana em nossa cultura, representada pela festa do Halloween – Dia das Bruxas.

– Para ser considerada uma legítima representação folclórica, é necessário que se enquadre em algumas características: ter origem anônima, ser antiga e popular, tradicional numa determinada região (sendo praticada e divulgada por muitas pessoas) e ter se espalhado através da transmissão oral (famoso boca a boca).

Manifestações Folclóricas por região:

Região Sul

Danças: Congada, Cateretê, Baião, Chula, Chimarrita, Jardineira, Marujada.

Festa tradicionais: Nossa Senhora dos Navegadores, em Porto Alegre; Festa da Uva, em Caxias do Sul; Festa da Cerveja, em Blumenau; festas juninas; rodeios.

Lendas: Negrinho do Pastoreio, do Sepé Tiarajú do Boitatá, do Boiguaçú, do Curupira, do Saci-Pererê.

Pratos: churrasco, arroz-de-carreteiro, feijoada, fervido.

Bebidas: chimarrão, feito com erva-mate, tomado em cuia e bomba apropriada.

Região Sudeste

Danças: Fandango, Folia de reis, Catira e Batuque.

Lendas: Lobisomem, Mula-sem-cabeça, Iara, Lagoa Santa.

Pratos: tutu de feijão, feijoada, linguiça, carne de porco.

Artesanato: trabalhos em pedra-sabão, colchas, bordados, e trabalhos em cerâmica.

Região Centro-Oeste

Danças: tapiocas, congada, reisado, folia de reis, cururu e tambor.

Festas tradicionais: Carvalhada, Tourada, Festas Juninas.

Lendas: pé-de-garrafa, Lobisomem, Saci-Pererê, Ramãozinho.

Pratos: arroz de carreteiro, mandioca, peixes.

Região Nordeste

Danças: Frevo, Bumba-meu-boi, Maracatu, Baião, Capoeira, Caboclinhos, Bambolê, Congada, Carvalhada e Cirandas.

Festas: Senhor do Bonfim, Nossa. Senhora da Conceição, Iemanjá, na Bahia; Missa do Vaqueiro, Paixão de Cristo, em Pernambuco; romarias – destaca-se a de Juazeiro do Norte, no Ceará.

Região Norte

Danças: Marujada, Carimbó, Boi-bumbá, Ciranda.

Festas: Círio de Nazaré (Belém) e festas indígenas.

Artesanato: cerâmica marajoara, máscaras indígenas, artigos feitos em palha.

Lendas: Sumaré, Iara, Curupira, da Vitória-régia, Mandioca, Uirapuru. Pratos: caldeirada de tucunaré, tacacá, tapioca, pato no tucupi.

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Do Betume da Judeia à selfie – 10 imagens históricas do mundo da fotografia

Para quem não sabe, hoje, dia 19 de agosto, é comemorado o Dia mundial da fotografia. Aqui no Interferência Urbana, a 8ª arte tem grande importância. A categoria Cidade Congelada é dedicada exclusivamente à ela!

Pensando nessa importância, resolvemos dedicar um post à esta data, homenageando a história da fotografia desde lá do início até os dias de hoje. Confira o nosso ranking de 10 imagens históricas do mundo da fotografia, começando pela…

1 – Primeira foto da história (1826)

primeira foto da história

A primeira foto da história demorou 8 horas para ficar pronta e foi produzida pelo francês Joseph Nicéphore Niépce numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo fotossensível chamado Betume da Judeia. Um verdadeiro borrão, mas conseguimos identificar algumas construções ao longo de um grande terreno. Começava aí a história da fotografia!

2 – Trabalhadores nas alturas (1932)

Construção do Empire States

Para quem tem medo até de subir na escada para trocar a lâmpada do banheiro, esta foto, certamente, é de tirar o fôlego! Um grupo de trabalhadores almoça tranquilamente numa viga a mais de 250 metros do chão sem qualquer equipamento de segurança. Muitos associam esta foto à construção do Empire States Building, que foi o maior arranha-céu do mundo por um bom tempo no século passado. Na verdade, à essa época, o Empire States já tinha sido construído havia um ano. A foto é também na construção de um prédio em Nova York, mas é do GE Building (ou RCA Building) no Rockefeller Center, em Manhattan.

Alguns questionam o fato dessa foto, que tem mais de 80 anos, ser alguma espécie de montagem, o que nunca foi confirmado. Outra curiosidade é que, na verdade, a foto foi encenada e fazia parte de uma jogada de marketing produzida para promover a construção do edifício.

3 – Dirigível Hindenburg (1937)

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Construído pela empresa Luftschiffbau-Zeppelin GmbH, o LZ 129 Hindenburg levava 96 passageiros da Alemanha para Nova Jersey, nos Estados Unidos, e acabou caindo devido a um incêndio enquanto era manobrado para realizar a pousagem. 36 pessoas morreram e a história dos dirigíveis na aviação comercial terminava ali.

A banda britânica de rock Led Zeppelin usou esta foto para ilustrar a capa do seu primeiro álbum, intitulado Led Zeppelin, lançado no ano de 1969. Inclusive, o nome da banda ganhou a palavra “Zeppelin” justamente por causa do dirigível Hindeburg, que também era conhecido como Zeppelin.

4 – V-J Day in Times Square (1945)

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A Segunda Guerra Mundial acabava e o estado de espírito do estadunidense era de grande euforia. Alfred Eisenstaedt, dono do registro que completou recentemente 70 anos, conta que o marinheiro da foto saiu beijando todas as mulheres que viu pela frente até chegar na enfermeira, quando deu o beijo que rendeu o clique histórico. E um senhor tapa na cara após o momento da foto!

5 – Autoimolação do Monge Budista (1963)

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O fotógrafo Malcolm Browne ganhou um Prémio Pulitzer por este trabalho fotográfico, feito em Saigon, Vientnã. O Monge Thich Quang Đức queimou até a morte como forma de protesto à política religiosa do governo Ngo Dinh Diem. Seu ato foi repetido depois por outros monges. O monge Thich Quang Đức permaneceu imóvel em sua meditação, sem nem sequer emitir qualquer tipo de expressão ou ruído por estar sendo imolado. É possível até ver esta histórica cena em vídeos no YouTube. Até para ver um vídeo desse, é preciso um pouco do “sangue frio” do monge. Fala sério!

6 – Guerra do Vietnã (1972)

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Esta talvez seja a foto mais famosa do mundo. Dificilmente alguém não conhece o click do fotógrafo Nick Ut, que também ganhou um Prémio Pulitzer por este trabalho, assim como Malcolm Browne. A garotinha Phan Thị Kim Phúc, de 9 anos de idade, fugia de um ataque de napalm feito à aldeia aonde morava por aviões sul-vietnamitas. O fotógrafo prestou socorro à vítima, que sofreu sérias queimaduras. Os médicos disseram que as chances de Kim Phúc sobreviver eram muito raras. Entretanto, contrariando as expectativas médicas, a garota sobreviveu, se formou em medicina e vive hoje no Canadá. Além disso, Kim Phúc criou e mantém até hoje uma Fundação que leva auxílio médico e psicológico para crianças que sofrem com situações de guerra. Um final realmente muito feliz para uma pessoa que praticamente nasceu de novo!

7 – John e Yoko para cover da Rolling Stone (1980)

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Tirada em dezembro de 1980 pela fotógrafa Annie Leibovitz, esta é, sem dúvidas, uma das fotos mais icônicas da história da cultura pop, feita para capa da revista Rolling Stone. Conta-se que foram apenas dois cliques. A única diferença de uma foto para a outra é que em uma John está olhando para a câmera. A outra é justamente a foto acima, escolhida para a capa. Mas essa não é a única curiosidade sobre esta foto. Estas foram as últimas fotografias do ex-Beatles, que morreria algumas horas depois, baleado por Mark David Chapman, contribuindo, sem sombra de dúvidas, para que esta edição da Rolling Stone fosse uma das mais bem-sucedidas da história da revista.

Só como um adicional, eu não tenho essa Rolling Stone, mas tenho um jornal que meu pai guarda desta época, que anuncia na capa a morte de John Lennon. A chamada é sencional!

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8 – O Rebelde Desconhecido (1989)

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É até irônico ver tanques de guerra num lugar que leva no nome a “responsabilidade” da paz celeste. O Rebelde Desconhecido (como ficou conhecido, também ironicamente), se coloca no trajeto por onde iria passar uma fileira de enormes tanques, na Praça da Paz Celestial em Pequim, na China, um dia após o governo chinês reprimir violentamente protestos em Tiananmen. O Rebelde Desconhecido ficou tão popular que foi até considerado como uma das personalidades mais influentes do século XXI pela revista Times.

Até hoje, não se sabe ao certo quem era este homem, muito menos qual é o seu paradeiro. Existem várias informações não confirmadas sobre o Rebelde Desconhecido, como por exemplo, a de que ele se chamaria Wang Weilin e teria 19 anos na data da foto. Alguns dizem que ele foi morto poucos meses após o ocorrido. Outros, que estaria ainda vivo, se escondendo. A verdade é que até hoje tudo isso é um grande mistério.

Esta cena foi capturada por mais de um fotógrafo, mas as fotos de Jeff Widener, fotógrafo estadunidense da Associated Press, ganharam grande repercussão rapidamente e se tornaram as mais famosas fotos do Rebelde Desconhecido.

9. A foto mais cara do mundo (2014)

preto e branco

Tirada pelo Australiano Peter Lik no interior do cânion Antelope, no Arizona, Estados Unidos, esta foto foi vendida por incríveis US$ 6,5 milhões (mais de R$ 17 milhões), para um colecionador que não foi identificado. O nome da obra é Phantom, uma alusão à poeira iluminada que sobe do chão, com formas que lembram as de um ser humano. Dá até para o Australiano Peter Lik tomar um sorvete com a grana da venda, não acham?

10. A foto mais curtida do Instagram (2015)

Kendal Jenner

Enquanto a primeira foto da história demorou 8 horas para ser produzida, hoje, dezenas de milhares de fotos são colocadas nas redes sociais em questões de segundos. Só para se ter uma ideia, são postadas cerca de 350 milhões de fotos no Facebook todos os dias e é nesse cenário que a modelo Kendall Jenner se destacou ao quebrar o recorde de curtidas no Instagram que pertencia à sua irmã, a socialite Kim Kardashian. Foram mais de 2,6 milhões de curtidas para o penteado que forma vários corações, registrado numa espécie de selfie.

Esta foi uma singela homenagem do Interferência Urbana aos amantes da fotografia, sejam eles simples apreciadores ou profissionais do ramo. Todos nós hoje temos condições de entrar em contato com esse universo, graças ao acesso à tecnologia que a cada dia vai se democratizando mais, permitindo-nos aventurar tanto pela história da fotografia quanto conhecer a própria parte técnica. Por isso, para finalizar, deixo aqui uma dica de um site de uma fotógrafa brasileira, que pode servir tanto para fotógrafos iniciantes quanto para os mais experientes, quando pintar alguma dúvida: o Dicas de fotografia. Só clicar e conferir!

Agora é só pegar sua câmera e entrar para a história!

O Cangaço e história de Lampião

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O que sabemos sobre nossa cultura? Conhecemos nossos heróis ou personalidades de nossa nação? No dia 2/8, deu-se inicio à Semana da Cultura Nordestina e, pensando nessa região tão rica de nosso pais, resolvi falar sobre um dos ícones da coragem e honra desse povo tão sofrido que é o povo nordestino. Esse ícone é Lampião.

Lampião foi o principal e mais conhecido cangaceiro que viveu no nordeste brasileiro, mas não foi o único. Outros cangaceiros famosos foram Jesuíno Brilhante (1844-1879), cearense, morto em luta com a polícia; Lucas da Feira, baiano, enforcado em 1849; José Gomes Cabeleira, pernambucano, e Zé do Vale, piauiense, enforcados nas últimas décadas do século XIX.

Antes de dizer quem foi Lampião, vamos nos situar. No sertão do nordeste brasileiro, as violentas disputas entre famílias poderosas e a falta de perspectivas de ascensão social numa região de grande miséria, levaram ao surgimento de bandos armados, gerando o fenômeno do cangaço. Cangaço é a denominação dada ao tipo de luta armada ocorrida no sertão brasileiro, do fim do século XVIII até a primeira metade do século XX. Cangaceiro era o homem que se dedicava à essa atividade.

Existiram três tipos de cangaço na história do sertão: o defensivo, de ação esporádica na guarda de propriedades rurais, em virtude de ameaças de índios, disputa de terras e rixas de famílias; o político, expressão do poder dos grandes fazendeiros; e o independente, com características de banditismo. No primeiro caso, após realizarem sua missão de caçar índios no sertão do Cariri e em outras regiões, a soldo dos fazendeiros, os cangaceiros se dissolviam e voltavam a trabalhar como vaqueiros ou lavradores. As rixas entre famílias e as vinganças pessoais mobilizavam constantemente os bandos armados. Parentes, agregados e moradores ligados ao chefe do clã por parentesco, compadrio ou reciprocidade de serviços, compunham os exércitos particulares. O cangaço político resultou, muitas vezes, das rivalidades entre as oligarquias locais (governo em que o poder é exercido por um grupo restrito de pessoas, geralmente, do mesmo partido, família, classe etc), e se institucionalizou como instrumento dessas oligarquias, empenhadas na disputa para consolidar seu poder. Mas, no final do século XIX, surgiram bandos independentes que não se subordinavam a nenhum chefe local, tendo sua origem no problema do monopólio da terra.

Agora que entendemos como funcionavam as coisas naquela época no nordeste, fica mais fácil entender o porque Lampião ficou famoso.

O verdadeiro nome de Lampião era Virgulino Ferreira da Silva. Nasceu na cidade de Serra Talhada (PE) em 7 de julho de 1898 e faleceu em Poço Redondo (SE) em 28 de julho de 1938. Era de uma família de classe média baixa, trabalhou com o pai, na infância e parte da adolescência, cuidando de gado. Também com transporte de mercadorias em longa distância, utilizando burros como meio de transporte de carga e artesanato. Envolveu-se em brigas familiares na juventude, o que acabou tirando a vida de seu pai. Em busca de vingança, juntou-se a um bando de cangaceiros.

Era devoto de PaReinaldo Azevedodre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte. Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 – Dizem que era tão “porreta” quanto ele. Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932. Há ainda informações controversas de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias e Arlindo Gomes de Oliveira, mas essas informações nunca foram comprovadas.

Existem várias lendas que explicam a origem do apelido Lampião. Uma das mais conhecidas diz que seus companheiros de cangaço deram esse apelido porque ele atirava tão rápido quanto uma metralhadora, o que fazia com que a ponta de seu fuzil ficasse vermelha, parecendo um lampião.

Lampião era alfabetizado e usava óculos de leitura, pois tinha problemas de visão. características que o destacavam dos demais daquela região nessa época. Ele era muito organizado e disciplinado e essas qualidades o tornaram líder de seu bando e, com a forte liderança de Lampião, dificilmente seu bando era derrotado.

Foi acusado de atacar pequenas fazendas e cidades em sete estados além de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações, estupros e saques. Os mais famosos ataques de Lampião e seu bando foram em 1923, seu bando efetuou assalto à casa da Baronesa de Água Branca (AL) e em junho de 1927, ele comandou seus homens na fracassada tentativa de tomar a cidade de Mossoró (RN). Chegaram nesta ocasião a sequestrar o coronel Antônio Gurgel.

Entretanto, muitas pessoas têm a imagem de que Lampião era uma espécie de Robin Hood do sertão brasileiro, que roubava de fazendeiros, políticos e coronéis para dar aos pobres miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar famílias, mas não há registro de que ele realmente fazia isso.

imagemLampião morreu no dia 27 de julho de 1938, em um ataque ao acampamento de seu bando na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Durante a noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A Volante (força especial das policias estaduais criada para combater os cangaceiros) chegou tão silenciosamente que nem os cães perceberam. Não se sabe ao certo quem os traiu. Naquele lugar considerado mais seguro, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. A Força Volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. Era o fim do famoso bando de Lampião e o inicio da lenda do Rei do Cangaço.

A extinção desse fenômeno social que foi o cangaço foi consequência, sobretudo, da mudança das condições sociais no país, das perspectivas de uma vida melhor que se abriam para as massas nordestinas com a migração para o sul, e das maiores facilidades de comunicação, entre outros fatores. Mais de dez anos antes da morte de Corisco, o Diabo Louro, o mais famoso chefe de bando depois de Lampião, os nordestinos já começavam a migrar para as fazendas paulistas de café, em longas viagens. A industrialização no sul, a abertura de novas frentes agrícolas, como a do norte do Paraná, e a interrupção da imigração estrangeira tornaram mais intensa a demanda de braços nordestinos, trazendo, como consequência, uma intensa migração para o Rio de Janeiro e São Paulo. Porém, era tarde demais: o cangaço e seus expoentes já tinham entrado para história.

Caro leitor, esse texto foi escrito para explorar um pouquinho dessa imensa cultura que temos no nosso nordeste. Espero que vocês tenham gostado. Até a próxima!

Curiosidade:

A bibliografia sobre o cangaço – de estudos sociológicos à reportagem documental – é vasta e seguem algumas referências. Na literatura, destacam-se o romance O Cabeleira (1876) de Franklin Távora, e as obras de José Lins do Rego, Jorge Amado, Raquel de Queiroz e Guimarães Rosa, este último autor de Grande Sertão: Veredas, considerado o maior romance já escrito sobre os cangaceiros. No cinema, sobressaíram-se O cangaceiro (1953) de Lima Barreto e Deus e o diabo na terra do sol (1964) de Gláuber Rocha.

Feriado Estadual

O que sabemos sobre o feriado de 9 de Julho? Um feriado evangélico, como já ouvi no trem certa vez? Parece engraçado, mas muitas pessoas não sabem o que é comemorado nesta data, ou o porque ela é feriado. Hoje vou falar um pouco sobre o que aconteceu para que o 9 de julho se tornasse um feriado. Um feriado estadual, mas ainda assim, um feriado. Só quem trabalha de verdade sabe o quão boa é uma folga dessa!

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Feriado estadual – 9 de julho

Vamos ao que interessa. No dia 9 de Julho de 1932 deu-se início à Revolução Constitucionalista. Ela era a resposta ao governo de Getúlio Vargas que, dois anos antes, havia assumido o poder, fechado o congresso nacional e abolido a constituição. Nessa época, o Brasil vivia um grande fervor político, graças às revoluções de 1922 e 1924 e ao golpe articulado por Getúlio que encerrou a Política do café com leite – política na qual alternavam-se no poder paulistas e mineiros – o que deixou os paulistas revoltados.

Os constantes desmandos realizados pelo governo provisório de Vargas no estado deixavam os paulistanos com o sentimento de humilhação. O assassinato de 5 jovens a tiros por partidários da ditadura no dia 23 de maio 1932 foi o estopim para que os paulistas pegassem as armas e fossem à luta pedindo a promulgação de uma nova constituição federal.

Parece bonito né? Os paulistas pegaram em armas para irem à luta. De certo modo, é. “O povo”, descontente, se levantou e foi lutar. Porém, a realidade não correspondeu ao sonho como tudo no Brasil, onde temos um cenário politico com forte jogo de interesses. O estado de São Paulo, junto com Minas Gerais, era o mais rico da federação. A crise de 29, que fez o preço do café despencar e as constantes interversões do governo Vargas sufocavam a elite – se tem uma coisa que não pega bem é deixar a elite desconfortável – que, descontente, encontrou na revolução uma forma de lutar contra o governo central, mascarando-a como levante de Revolução Constitucionalista.

Os paulistas não foram páreo e perderam a guerra, que durara apenas 3 meses. O Exército Brasileiro, em maior número e melhor treinado acabou com o conflito, mas a guerra não foi completamente em vão: dois anos depois, em 1934, o governo central promulgava uma nova constituição, mostrando que a revolta conseguira, ainda que tardiamente, atingir seu principal objetivo declarado. Pelo menos esse foi o sentimento que os paulistas tiveram, já que o governo afirmara já haver marcado eleições, fato este sempre contestado pelos paulistas, que argumentavam que sem a Revolução não haveria redemocratização do Brasil.

Refletindo sobre a Revolução de 32, podemos dizer que ela não se restringiu apenas ao campo da política: o levante foi também um dos principais marcos da formação da identidade paulista. Apoiada na ideia de que o estado é o “carro chefe” econômico da nação, as elites locais aproveitaram o sentimento de união gerado pela revolta para reforçar seu discurso sobre o suposto “espírito” do povo de São Paulo. Dessa forma, elementos que vinham sendo construídos havia anos – como as ideias de pioneirismo e nobreza paulista – foram reforçados pelo poder ideológico da Revolução.

Bom pessoal. Sendo por motivos próprios ou nobres, é um grande acontecimento e por isso hoje é feriado. Então, quando perguntarem porque é feriado no dia 9 de Julho, digam que é a comemoração da Revolução de 32 ou Revolução Constitucionalista.

Um bom Feriado a todos e Viva a Revolução!

Independence Day

Hoje, dia 4 de julho, é comemorado o dia da independência dos Estados Unidos da América. Mas o que sabemos sobre esta data além de que é o dia do nascimento de uma das nações mais poderosas do planeta? Abaixo, lhes contarei um pouco de como foi a independência americana e porque ela se deu.

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No dia 4 de julho do ano de  1776, as 13 colônias inglesas declaram-se separadas formalmente do império britânico. Porém, somente 1783, após a guerra com a Inglaterra, é que as 13 colônias – Como tudo na vida, nada é muito simples – se tornaram realmente independentes. As 13 colônias não acordaram de um dia para o outro e decidiram se tornar independentes não senhores. Houve uma série de fatores que levaram a essa decisão. Para entendermos corretamente, vamos ao início.

Os ingleses, por volta do século XVII, começaram a colonizar as terras do norte do continente americano e essa colonização foi feita de dois modos distintos: no norte, a colonização era de povoamento, na maior parte feita por protestantes que fugiam das perseguições religiosas da Europa e essa colonização tinha por objetivo – como próprio nome diz – povoar o lugar, mas tinha outras características que nos ajudam a entender o povo estadunidense, que eram a mão-de-obra livre, economia baseada em comercio, pequenas propriedades e produção para consumo no mercado interno. Já no Sul dos Estados Unidos a colonização era de exploração, igualmente a colonização no Brasil feita por Portugal. Era baseada no latifúndio (grandes propriedades agrícolas com baixa produção), mão de obra escrava, produção para exportação e monocultura (produção ou cultura de apenas uma especialidade agrícola).

Os ingleses não eram os únicos interessados pelo território americano e durante os anos de 1756 e 1763, a Inglaterra e a França lutaram pela posse dos territórios da América do Norte, que teve como vencedora a Inglaterra.  Ela resolveu pagar os custos da guerra aumentando as taxas e impostos dos colonos que lá habitavam, principalmente dos colonos do norte, e se tem uma coisa que povo não gosta é que mexa no bolso dele. Isso acabou desencadeando protestos contra Inglaterra. Além de aumentar os impostos, os ingleses criaram novas leis que tiravam a liberdade dos colonos, como por exemplo, a lei do chá, onde o comércio de chá era monopolizado pela companhia comercial inglesa.

A revolta era tanta que alguns colonos se vestiram de índios e invadiram um navio que estava carregado de chá e jogaram no mar a mercadoria. Esse fato é conhecido até hoje como The Boston Tea Party (Festa do chá de Boston). Fresco como só ingleses sabem ser, deram chilique e exigiram que os habitantes pagassem pelo prejuízo e além do mais cercaram a cidade com soldados.

Insatisfeitos com os desmandos dos ingleses, os colonos organizaram um congresso em 1774 para verem o que eles poderiam fazer para melhorar a situação deles baixando impostos. A história diz que é só isso que eles conversaram e que não tinha nenhum cunho separatista, mas… Os ingleses não aceitaram as propostas elaboradas por esse congresso. Muito pelo contrario. O Rei George III adotou mais medidas controladoras e restritivas às colônias. Aí a coisa ficou feia.

Em 1776, os colonos se reuniram em outro congresso e, esse sim, com o objetivo de conquistar a independência e, durante esse congresso, Thomas Jefferson redigiu a declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Porém, a Inglaterra birrenta e cheia de si – afinal, era maior nação da época – não aceitou e ainda por cima declarou guerra. O resto vocês já sabem e o cinema americano não deixa o mundo esquecer. Com uma pequena ajudinha da França – a perdedora de lá do inicio – as colônias tornaram-se independentes. No ano de 1787 ficou pronta a constituição dos Estados Unidos com fortes características iluministas, nada que a França “não tenha” ajudado.

Bom, pessoal. É isso! Espero que vocês tenham gostado!

Curiosidades

A bandeira dos Estados Unidos é composta por sete faixas horizontais vermelhas e seis na cor branca, no canto superior esquerdo há um retângulo azul escuro com 50 estrelas brancas. As 50 estrelas da bandeira representam todos os Estados. Já as faixas (nas cores vermelha e branca), simbolizam as 13 colônias que deram origem aos Estados Unidos.

A cor vermelha presente na bandeira simboliza valor e resistência, já a cor branca representa a pureza e o azul simboliza a justiça e a perseverança.

Os Estados que compõem os Estados Unidos são: Alabama, Alasca, Arizona, Arkansas, Califórnia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Colorado, Connecticut, Dacota do Norte, Dacota do Sul, Delaware, Flórida, Geórgia, Havaí, Idaho, Illinois, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Luisiana, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Mississípi, Missouri, Montana, Nebrasca, Nevada, Nova Hampshire, Nova Iorque, Nova Jérsei, Novo México, Ohio, Oklahoma, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Tennessee, Texas, Utah, Vermont, Virgínia, Virgínia Ocidental, Washington, Wisconsin e Wyoming. Além desses Estados, os americanos têm territórios que são administrados: Porto Rico, Ilhas Marianas do Norte, Atol Johnston, Guam, Ilhas Wake, Ilhas Midway, Ilhas Virgens Americanas, Samoa Americana e Baia de Gantanamo.

10 musicas nacionais que são versão brasileira de 10 musicas internacionais (Parte 1)

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Estava no trabalho e do nada começou tocar uma música que gosto na rádio. Ouvimos uma dessas rádios de música de elevador, então foi uma surpresa saber que Arisa estava nos falantes. Comentei sobre a música, como era, de quem era e do nada me sai uma voz (linda, por sinal) em português.

As pessoas disseram que era tema de uma novela atual e a Tiê que cantava. Isso me lembrou algumas músicas que existem versões nacionais, mas que as internacionais não são tão conhecidas como deveriam.

Esse insight me motivou a escrever, então, a lista das 10 músicas nacionais que são versão brasileira de 10 musicas internacionais (Parte 1), ou reduzindo o título: Versão Brasileira.

Nada mais justo que começar com a canção que inicia o texto. Estou falando de A noite, da Tiê, que no original se chama La notte e é interpretada pela italiana Arisa, que tem uma carreira relativamente nova, surgiu no Festival de Sanremo e segue uma linha pop, lembrando canções do início de carreira da Laura Pausini.

La Notte é do álbum Amami, de 2012, e traz a mesma linha vocal e arranjos, além da letra alterada. Nela encontramos os versos:

“E quando chega a noite e fico sozinha comigo / A cabeça sai e viaja em busca dos seus porquês / Nem vencedores nem perdedores saem derrotados na metade / A vida pode nos distanciar o amor continuará”

 O mesmo refrão na canção da Tiê, em nossa versão brasileira ficou:

“E quando chega a noite e eu não consigo dormir / Meu coração acelera e eu sozinha aqui / Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão / Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão”

Numa pesquisa rápida, descobri que a versão nacional faz parte da trilha sonora do folhetim I Love Paraisópolis, da Rede Globo.

Pegando a máquina do tempo e indo lá para os anos 80, vamos chegar na banda Nenhum de Nós, que após um estrondoso sucesso com Camila, Camila, teve O Astronauta de Mármore explodindo em todas as rádios. Um sucesso ainda maior que sua estréia. Muita gente achava que era uma autoria da banda (e até hoje tem gente que não sabe que é versão) e não se dava conta que o sucesso de 1989 era uma versão de uma atinga canção de um álbum de 1972, o famoso The Rise and Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, de David Bowie, e se chamava Spaceman.

Um fato curioso é que a música ficou tão conhecida no Brasil, que segundo Thedy Correa (vocalista da banda Nenhum de Nós) em seu primeiro show no Brasil (1990) David Bowie disse “Agora vou tocar uma canção que eu sei que todos podem cantar só que em português!”. Vale ressaltar que a versão em português foi transcrita para o inglês, enviada para a Inglaterra e teve o aval do próprio Bowie para a gravação.

Diversas pessoas dizem que a música é um fiasco, mas ela foi importante para mim. Através dela, fui conhecer quem era o cara da original e gosto de Nenhum de Nós e David Bowie até hoje.

Starman tem o refrão:

“Há um homem das estrelas esperando no céu / Ele gostaria de vir e encontrar-nos / Mas ele pensa que explodirá nossas mentes / Há um homem das estrelas esperando no céu / Ele disse para não explodirmos / Porque ele sabe que tudo vale a pena / Ele disse-me / Deixem as crianças perderem o controle / Deixem as crianças aproveitarem / Deixem todas as crianças tocarem (boogie)”

Já a versão de O Astronauta de Mármore é:

“Sempre estar lá / E ver ele voltar / Não era mais o mesmo / Mas estava em seu lugar / Sempre estar lá / E ver ele voltar / O tolo teme a noite / Como a noite / Vai temer o fogo / Vou chorar sem medo / Vou lembrar do tempo / De onde eu via o mundo azul”

Pegando um avião para Minas e chegando já no ano de 1993, encontramos o Skank com seu álbum de estréia e dentre as 10 canções da bolacha encontramos um hit de Bob Dylan escondidinho ali.

Falamos de Tanto, uma belíssima composição que segue os arpejos de I Want You. Na época a canção não foi muito tocada, nem chegou ser um grande sucesso. Até 2001, quando foi incluída no MTV ao vivo – Skank.

Sua versão original foi lançada por Bob Dylan em 1965 como B-side do single Just Like Tom Thumb’s Blues e posteriormente em 1966 no Blonde on Blonde.

Se as duas versões tem um pecado em comum, é o refrão. Embora marcante, assobiável e feito para colar mesmo, não refletem o conteúdo linguístico e temático das canções. Se Dylan chega com Te quero, te quero / Te quero tanto / Querida, eu te quero, nossos compatriotas tem É tanto, é tanto / Se ao menos você soubesse / Te quero tanto.

Recomendo a leitura completa dessas duas músicas, tanto a tradução original quanto a versão nacional. São muito bonitas.

Bom, já que estamos em Minas, vamos para Brasilia ter um papo com os candangos da banda Raimundo, ainda em sua formação clássica, que tinha Rodolfo, Fred, Digão e Canisso. Em 1997 eles lançavam seu terceiro álbum, o Lapadas do Povo, que além do cover de Oliver’s Army, de Elvis Costello, tem a famigerada versão de uma música lançada 20 anos antes. Falamos de Pequena Raimunda, a versão esculachada de Ramona, da banda Ramones, lançada originalmente no clássico álbum Rocket To Russia de 1977.

Não é segredo que Raimundos era uma banda cover de Ramones e tem diversas versões nunca lançadas de músicas dos 4 garotos de NY, mas eles resolveram aproveitar e colocar essa versão, que até hoje é executada nas rádios nacionais e ainda inseriram a introdução de Surfin’ Bird com o mesmo tempo de espera do disco original. Fantástico! Particularmente não gostei da letra alterada, mas vindo de Raimundos, o escracho seria garantido.

Na versão americana os versos são:

Doce pequena ramona / Ela sempre quer se juntar a nós / Doce pequena ramona / Acho que tentarei telefonar para ela / Eu a deixei entrar se você quer saber o por que / Pois ela é uma espiã do FBI / Escrevi uma carta para ela e comecei a chorar / E então eu sabia que eu queria morrer / Oooh, pequena Ramona

A versão de Brasilia saiu como:

Shit, shit pequena Raimunda / Bunda de sonho a cara é um pesadelo / Shit, shit pequena Raimunda / Parece até a namorada do Telo / Quando eu a vejo eu vou correndo pro bar / Encher a cara e conseguir encarar / Ela de 4 fica maravilhosa / Essa bundinha ela vai ter que virar / Uuuhh a pequena Raimunda

Fechando a primeira parte dessa lista, vou dar uma invertida nos papéis e falar de Feelings, sucesso mundial da banda The Offspring e que foi lançada em 1998 no premiado álbum Americana. Feelings não é uma musica de autoria da banda, como muitos pensam, mas sim uma versão de um clássico de 1973 (25 anos antes), lançado como compacto simples e posteriormente foi título do álbum de estréia de Morris Albert em 1975.

PÁRA TUDO!!! Não era uma versão nacional? Já que era para inverter, o que um cantor francês tá fazendo aqui? Sim, seria francês, se não se chamasse Maurício Alberto Kaisermann, um cara que teve a sorte de compor a musica que fez ele ganhar a vida, que fatura em direitos autorais como cantores internacionais e ainda vive. Feelings foi acusada de plágio e em 1988 foi configurada como plágio da música Pour Toi, de 1956, da cantora Line Renaud. Em sua defesa, Morris Albert disse que ela foi composta para um amor platônico da época.

Sobre as duas versões em questão, The Offspring mudou todos os “loves” por “hates”, o que gerou um certo hate (desculpem o trocadalho do carilho) de Morris Albert, que mandou um processo básico para eles, mas como ele também recebeu processo…

Enfim, falar de Feelings daria umas três postagens, por isso vamos aos versos:

Enquanto nosso compadre cantava: Sentimentos, Oh, sentimentos / Queria te sentir novamente em meus braços / Sentimentos / Me sinto como se nunca te perdi / E também me sinto como se nunca te terei novamente em meu coração / Sentimentos / Que terei por toda minha vida / Eu queria nunca / Ter  te conhecido, garota / Você nunca mais voltará 

os americanos soltaram pérolas como: Sentimentos… / Oh sentimentos / Oh, sentimentos / De ódio na minha cabeça / Sentimentos / Sentimentos como eu nunca gostei de você / Sentimentos como eu quero te matar / Vivem no meu coração / Sentimentos / Sentimentos como eu quero esquecer você / Sentimentos como eu vou deixar / Fora da minha vida

E como de costume, seguem os vídeos das versões e na próxima semana voltamos com as outras 05 versões nacionais. Enjoy!

TIÊ: A Noite: https://www.youtube.com/watch?v=1Ngn3fZIK2E

ARISA: La Notte: https://www.youtube.com/watch?v=PWu71JMwGWE

NENHUM DE NÓS: O Astronauta de Mármore: https://www.youtube.com/watch?v=ZmhSbgs5MCw

DAVID BOWIE: Starman: https://www.youtube.com/watch?v=vbLsy9-RUi4

SKANK: Tanto: https://www.youtube.com/watch?v=EehDzJ-Foqk

BOB DYLAN: I Want You: https://www.youtube.com/watch?v=xzA1KDxKXZw

RAIMUNDOS: Pequena Raimunda: https://www.youtube.com/watch?v=UtxC4rc2I_A&list=RDUtxC4rc2I_A&index=1

RAMONES: Ramona: https://www.youtube.com/watch?v=MM0MUcc5OKE

MORRIS ALBERT: Feelings: https://www.youtube.com/watch?v=wU0Pp2n6ooE

THE OFFSPRING: Feelings: https://www.youtube.com/watch?v=XnhoIf8dDVE

LINE RENAUD: Por Toi: https://www.youtube.com/watch?v=Rh0Q1CX9tkY

Não é cover; Não é plágio; São samples, bro!

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Depois da série 10 COVERS QUE MUITA GENTE NÃO SABE QUE SÃO COVERS, hoje falaremos dos SAMPLES.

As pessoas não costumam entender algumas diferenças no mundo da música. PLÁGIO geralmente é confundido com paródia, citação e sample. Hoje o papo é sobre os samples, artificio muito usado na música, principalmente no RAP.

Antes de mais nada, sample é a técnica de extrair algum trecho de uma gravação  utiliza-la para a composição de uma nova. E os manos do RAP são craques nisso. Em miúdos, sample não é plágio (um dia falaremos disso aqui).

Vou começar com o maior expoente do RAP nacional, assim como o maior do Soul Brasil. Racionais MC’s e Tim Maia. Minha paixão pelos Racionais não é nem pelas letras, mas pela batida, pelo ritmo, pelo peso e peso Soul. Admirador de Tim Maia, não tinha como não gostar de Homem na estrada, música dos Racionais cantada em cima do arranjo de Ela partiu, do Tim Maia (inclusive usam o Tim no trecho “e nunca mais voltou”).

Ouçam Homem na estrada (Racionais Mc’s): https://www.youtube.com/watch?v=fVlT58AIc50

E na sequência Ela partiu (Tim Maia): https://www.youtube.com/watch?v=KQuDvn1wVWU

Quem também sampleou de forma honrosa foi a dupla Thayde e Dj Hum, que em Sr. Tempo Bom usaram Mr. Big Stuff de Jean Knight, um hino feminista de 1971. A música ainda conta com samples de Originais do Samba e Toni Tornado, mas minha ideia é colocar apenas o que manteve base para a construção da canção. A letra é perfeita para quem era criança nos meados de 70 e 80, fora o clipe excepcional. Não perca tempo, dá um confere aí:

Sr. Tempo Bom (Thayde e Dj Hum): https://www.youtube.com/watch?v=aUKaBc_8UX8

Mr. Big Stuff (Jean Knight): https://www.youtube.com/watch?v=9f4CyQto-0E

Mas isso não é só no Brasil e nem propriedade do Ritmo E Poesia, diversas vertentes conseguem fazer com maestria e em alguns casos eles deixam praticamente imperceptível. É o caso da banda Prodigy, que em seu álbum The Fat Of The Land (1996) lançou diversos samples, mas vamos nos prender apenas a Firestarter que é composta na base de S.O.S. da banda The breeders. Você pode me dizer, que nada, impressão, mas corre S.O.S. para mais ou menos 0:20 e 1:01 e ouve o que eles apresentam. Pegue uns 10 segundos e repare. Brilhantemente eles conseguem fazer uma musica toda em cima disso e ainda usando um mix de S.O.S. com Ten City na musica Devotion. Corre para o 0:16 da musica e sinta a beleza. O DJ do Prodigy foi excelente.

Firestarter (Prodigy): https://www.youtube.com/watch?v=wmin5WkOuPw

S.O.S. (The Breeders): https://www.youtube.com/watch?v=2i9Zis5j-Cg

Devotion (Ten city): https://www.youtube.com/watch?v=ANMpl3Um8QM

Um caso super famoso é o da briga entre Queen e Vanilla Ice, que usou Under Pressure (Queen) para seu maior sucesso comercial Ice Ice Baby. Tudo poderia ter sido diferente se Vanilla não tivesse dito que era uma música dele. A criatividade do cara era tanta, que até trechos do filme Lute pela coisa certa, de Spike Lee foi usado. Sim, caros leitores, quem já assistiu e viu a parte do Ice Ice Baby, sabe do que estou falando. Duvida? Confere aí.

Ice, Ice, Baby (Vannila Ice): https://www.youtube.com/watch?v=rog8ou-ZepE

Under Pressure (Queen): https://www.youtube.com/watch?v=a01QQZyl-_I

Faça a coisa certa (Filme): https://www.youtube.com/watch?v=mkiw_VDRQGk

OFF, MAS IMPORTANTE: Se puderem assistam esse filme. Agora voltando.

E para finalizar, não poderia deixar de citar os Ramones com seu clássico Blitzkrieg Bob totalmente refeito pelo pessoal da Funk Wins, que lançou o Bonde do Ramon e transformou a primeira música da banda em Sarrando no Hey Ho. Se você não for uma pessoa bem humorada, não assista, mas se quer ver como ficou, dá um confere lá e aproveite para ver coisas como “Bonde do Nirvana com Come As Novinha (Come As You Are)”, “The Zikooper (The Troopper Iron Maiden)” entre outras pérolas (indico Polly Piranha do Nirvana das Popuzudas).

Enfim, sem mais delongas:

Sarrando no Hey Ho (Bonde do Ramon): https://www.youtube.com/watch?v=yuajyLR6Ies

Blitzkrieg Bob (Ramones): https://www.youtube.com/watch?v=K56soYl0U1w

Página do Funk Wins no YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC2Z4f7b91gV8ku_ik30ATbQ

E ficamos por aqui, sampleando e cantando. Até a próxima!

10 covers que muita gente não sabe que são covers (Parte 2)

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Olá! Dando continuidade aos 10 covers que muita gente não sabe que é cover (veja a parte 1), vamos finalizar a lista com as últimas 5 canções. Sei que existem várias e, acreditem, é um parto deixar apenas 10, mas assim o texto não se torna tão cansativo e repetitivo.

O único critério usado foi: “Me surpreendeu quando descobri”. Então, não se prendam numa tal “importância de ordem” pois ela não existe.

E falando em “me surpreendeu”, nada foi tão chocante para mim quanto Love Hurts, do Nazareth. Ou melhor, Love Hurts do The Everly Brothers. Como assim? Essa música não é dos escoceses que ganharam o mundo e a colocaram em todas as coletâneas de Flashback do mundo? Sim, cara petizada. Cher, Roy Orbison e Joan Jett não faziam cover de Nazareth, como eu e a grande maioria pensava, eles estavam fazendo uma releitura de uma música gravada em 1960 pelos americanos The Everly Brothers.

O estranho de tudo isso, é que em 1960 a canção foi incluída no álbum A Date with The Everly Brothers e não foi inserida em nenhum single e nem ao menos em algum B-side, passou totalmente despercebida, até ser regravada por Roy Orbison, que conseguiu sucesso na Austrália em 1961, mas só ganhou o mundo em 1973 quando os cabeludos da banda Nazareth a lançaram. Sim, ela não é do Nazareth, mas isso não importa. Sempre que você ouvir o “uuuuuuuuuuhuuuuuuuu Lóóóviiii rartissss” você vai associar aos escoceses.

Uma outra canção que me causou espanto e eu só soube que era versão em meados de 2006, foi a balada Nothing Compares 2 U, que até então eu achava que era da irlandesa Sinéad O’Connor, que havia lançado o ótimo álbum I Do Not Want What I Haven’t Got em 1990 e ficou famosa por ter raspado a cabeça, rasgar uma foto do Papa João Paulo II em protesto contra os abusos sexuais da igreja católica e a doação de sua casa avaliada em 800 mil dólares para a Cruz Vermelha.

16 anos depois, descubro no meio dos discos de um amigo, uma tal banda chamada The Family, que nada mais era que um dos projetos de um disco só do cantor Prince, que na última vez que tive notícias era chamado de The Simbol. Enfim, o mesmo Prince de Purple Rain tinha uma canção no álbum The Family, lançado em 1985 que se chamava Nothing Compares 2 U. Quando comentei o título, meu amigo me disse que era a mesma canção. Oh não! Como assim? Após 21 anos de existência da canção, descobri que Sinéad não era a autora. E não adianta reclamar, todo mundo vai achar que é dela, já se apropriou. Vale ressaltar que após o episódio com a foto do Papa, Sinéad O’Connor não conseguiu muita visibilidade na mídia, mas ainda está na ativa e é uma militante dos direitos homossexuais no mundo e Nothing Compares 2 U, foi número 1 do Top 100 da Billboard.

Em 1999, o Pearl Jam participou de uma coletânea beneficente chamada No Boundaries: A Benefit for the Kosovar Refugees e nela havia uma canção tocada a exaustão no país: Last Kiss. De extremo sucesso, a música conquistou o mundo, liderou o Top 100 da Billboard, trouxe novos fãs para a banda, alavancou a venda da coletânea beneficente (Era para refugiados da guerra de Kosovo e rendeu 1 milhão de dólares) e teve um sucesso tão estrondoso que fez com que a banda lançasse sua versão em single.

A música não é dos grunges de Seattle, mas sim do cantor de soul Wayne Cochran, também chamado de “O Cavaleiro Branco do Soul”, que a compôs em 1962 e lançou no mesmo ano com seu conjunto Wayne Cochran & the C.C. Riders.

Wayne Cochran & the C.C. Riders não obtiveram sucesso com a música, que foi baseada em um acidente ocorrido no mesmo ano na Georgia, onde o casal Jeanette Clark e L. Hancok (que estava dirigindo), ambos com 16 anos e mais três amigos, bateram em um caminhão que carregava madeiras. Clark, Hancok e mais um amigo morreram; os outros dois ficaram seriamente feridos. Cochran dedicou a música à Jeanette Clark.

A próxima música, descobri recentemente. Para ser exato, descobri no dia 1 de maio com a morte de Ben E. King. Esse também cantor de Funk, Soul e R&B, junto com Jerry Leiber e Mike Stoller, compôs uma grande canção em 1960 e a gravou no disco Don’t Play That Song. A música fez um relativo sucesso nos Estados Unidos, mas não atingiu a visibilidade e reconhecimento mundial até 1975, quando um certo cabeludo a gravou.

Legal, mas qual é a música (diria o Sô Silvo) e quem é esse tal cabeludo que a fez estourar e o mundo inteiro cantar até hoje? Foi um cara de Liverpool, um tal de John Lennon, que em carreira solo gravou a música para seu álbum Rock and Roll, lançado em 1975, como dito antes e ganhou o mundo e as paradas de sucesso de todo planeta.

Stand by Me é o nome da canção, que em 1999 recebeu o título de quarta música mais tocada no século XX, segundo a gravadora BMC. Uma pena só descobrir isso agora. E Ben E. King postumamente.

Para finalizar a postagem, escolhi uma canção medonha, no pior sentido da palavra. Essa peço que busquem a letra na internet. Sem mais delongas, The House of Rising Sun deve ser a música mais conhecida da banda The Animals e tem versões regravadas em diversos estilos por todo mundo. Foi lançada pelo The Animals em 1964 no álbum The Animals. Descobri depois que até a gravação do Bob Dylan foi antes (1961) e eu achava que era cover do Animals (lembrem-se que esse velho gordo vem de uma era pré internet).

Então vem a pergunta, se em 1961 ela já era cover, de quando ela é? Não se sabe. Ela é uma canção folclórica americana e sabe-se que a primeira gravação que se tem notícia foi realizada em 1933 (isso mesmo, você não leu errado, 1933) por Clarence Ashley, que disse que era uma das canções que seu avô cantava para ele (E eu achando que Boi da Cara Preta e Nana Neném eram as piores canções que existiam para crianças).

Fica então o registro de 10 covers que muita gente não sabia que era cover e na sequência as versões citadas. Espero que tenham gostado e voltamos qualquer hora dessas. Let’s Rock!

LOVE HURTS

Nazareth: https://www.youtube.com/watch?v=GRJaZdodEgI

The Everly Brothers: https://www.youtube.com/watch?v=hFE2SnliiV0

 

NOTHING COMPARES 2U

Sinéad O’Connor: https://www.youtube.com/watch?v=bMXA6BPpZ6c

The Family (Prince): https://www.youtube.com/watch?v=-LBc7-v5exY 

 

THE LAST KISS

Pearl Jam: https://www.youtube.com/watch?v=RU177JP5o7I

Wayne Cochran: https://www.youtube.com/watch?v=yKDMRZv4SYc

 

STAND BY ME

John Lennon: https://www.youtube.com/watch?v=4vSWHkxZgOI

Ben E. King: https://www.youtube.com/watch?v=hwZNL7QVJjE

 

THE HOUSE OF RISING SUN

The Animals: https://www.youtube.com/watch?v=MgTSfJEf_jM

Clarence Ashley: https://www.youtube.com/watch?v=147kS8O59Qs

10 covers que muita gente não sabe que são covers (Parte 1)

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Das peças que o mundo da música prega, uma das que mais nos pega são os covers, pois as vezes achamos a música do “Fulano” linda, mas depois descobrimos que é uma versão de um “Sicrano” que é muito pouco conhecido (ou até desconhecido) para o grande público.

Me surpreendi diversas vezes e acredito que muitos irão se surpreender com essa lista de 10 covers que muita gente não sabe que é cover.

Para poder falar um pouco mais de cada uma, a postagem vai ser feita em duas etapas. A próxima sai na sexta-feira que vem!

Vou começar com minha banda preferida e seu clássico: Surfin’Bird, gravada no álbum Rocket To Russia, de 1977.

Desde o começo eu já achava uma coisa bizarra. A música toda baseia-se em versos como Pássaro é a palavra e tem uma pegada da Surf Music. O que eu não imaginava é que ela é uma versão do hit de 1963, gravado pela banda The Trashmen (O Lixeiro) que alcançou o 4º lugar da Billboard Hot 100 e que por sua vez é um medley de duas músicas da banda The Rivingtons, Papa-Oom-Mow-Mow e The Bird’s the Word.

Outra que confunde muita gente é I Love Rock And Roll, mundialmente conhecida na voz de Joan Jett, que a gravou pela primeira vem em 1979, com Steve Jones e Paul Cook, remanescentes do Sex Pistols. Uma versão que não emplacou, mas em 1982 ela lança com sua banda Joan Jett & The Blackhearts a versão que ficou conhecida no mundo todo e atingiu o número 1 da Billboard Hot 100 de 1982. O clipe da música ganhou uma nova roupagem com o filme Wayne’s World 2.

Quem ficou contente com o sucesso da música, foi a banda The Arrows, que gravou originalmente em 1975 e até então não tinham obtido nem sucesso e nem dinheiro em grande escala com sua versão. Tudo muda quando Joan os vê ao vivo em um programa de TV e se apaixona pela música. E ela não apenas gravou, mas numa atitude rock and roll cedeu TODOS os direitos autorais de sua versão para os The Arrows.

Todo mundo que se preza, já deve ter ouvido, cantado ou dançado Twist and Shout ou “Shake It Up Babeee…” (sim, na época pré internet eu achava que o nome certo era esse) dos mundialmente famosos THE BEATLES. Certo?

E quando descobrimos que essa música não é deles, mas sim de um grupo americano chamado The Top Notes, que a lançou em 1961 a versão original, produzida pelo lendário Phil Spector. Os quatro garotos de Liverpool só a gravaram dois anos depois, para o álbum homônimo e reza a lenda que Twist And Shout foi a última das 11 a serem gravadas, numa única sessão de 10 horas de estúdio. John Lennon estava resfriado e rouco e fizeram apenas dois takes da música, o primeira entrou, porque a voz dele sumiu no segundo. Isso pode ser uma explicação para John Lennon nunca mais ter conseguido o mesmo timbre utilizado.

Existe uma música e um videoclipe que nos ensina como morrer. O responsável por esse belíssimo material foi Johnny Cash, que em 2002 lançou Hurt, que foi considerado o melhor vídeo do ano pelos prêmios Grammy Music Awards e Country Music Awards.

A letra cantada de forma sofrida em conjunto de um vídeo que mescla diversas épocas de Cash, chega a ser atormentador. Uma obra prima musical que foi composta por Trent Reznor para sua banda Nine Inch Nails e lançada em 1994 no álbum The Downward Spiral. Quase ninguém conhece a versão original e muitos atribuem sua autoria a Johnny Cash, que realmente transformou a música em algo seu. Sua versão é tão marcante que o próprio autor, ao acabar de ouvir a versão contida no álbum American IV: The Man Comes Around (presenteado pelo próprio Cash), concorda que foi uma excelente decisão ter permitido a gravação (que ele se mostrou relutante no início, por achar que Cash não tinha nada a ver com ela) e após assistir o clipe, com água nos olhos diz para todos: “Acabei de perder a minha namorada. Hurt não é mais minha, agora ela é de Johnny Cash”.

No ano de 1987, o Brasil ainda conseguia presentear o povo com diversas bandas de rock e uma delas era formada por uns caras de São Paulo, oriundos do Movimento Punk e agora renomeados para uma versão mais “polida” musicalmente, largando o punk rock e hard core e apostando suas fichas no post-punk, os então garotos do 365 lançavam a música Grândola, Vila Morena em seu álbum de estreia, o elogiado 365.

Numa época sem internet, não se passava pela cabeça que a música que tocou sem dó nas rádios era uma regravação. Vou além, em 1974, a brasileira Nara Leão já havia gravado em Portugal essa música (ainda não estamos na original) em seu compacto A senha do novo Portugal, mas era uma versão obscura no Brasil. A original é ainda um pouco mais velha, ela vem de 1971, do álbum Cantigas de Maio do cantor Zeca Afonso, que a executou pela primeira vez em 10 de maio de 1972 em Santiago de Compostela.

Poderia apenas ser só mais uma música, mas ela foi nada menos que a Senha do Novo Portugal (como dito por Nara Leão em 1974), canção escolhida como uma das senhas para a derrubada da ditadura no país. Eram os primeiros 20 minutos de 25 de abril de 1974 e dava-se início à Revolução dos Cravos.

Para que conheçam as versões de cada música citada, deixei os links para vídeos no YouTube. Cliquem, comparem e divirtam-se. Logo mais teremos a continuação da lista.

Somos Vozes!

SURFIN’ BIRD

Ramones: https://www.youtube.com/watch?v=CVQfVtzFd4U

The Trashmen: https://www.youtube.com/watch?v=9Gc4QTqslN4

The Rivingtons – Papa Oom Mow Mow: https://www.youtube.com/watch?v=EQrQjNNZCAo

The Rivingtons – The Bird Is The Word:

https://www.youtube.com/watch?v=6w73ntTzJ4U

I LOVE ROCK AND ROLL

Joan Jett & The Heartbreakers: https://www.youtube.com/watch?v=M3T_xeoGES8

The Arrows: https://www.youtube.com/watch?v=UETTaHaAnaQ

TWIST AND SHOUT

The Beatles: https://www.youtube.com/watch?v=pVlr4g5-r18

The Top Notes: https://www.youtube.com/watch?v=Cmmap4L8-oM

HURT

Johnny Cash: https://www.youtube.com/watch?v=vt1Pwfnh5pc

Nine Inch Nails: https://www.youtube.com/watch?v=kPz21cDK7dg

GRÂNDOLA, VILA MORENA

365: https://www.youtube.com/watch?v=OlXKTCg5uTY

Zeca Afonso: https://www.youtube.com/watch?v=gaLWqy4e7ls

Nara Leão: https://www.youtube.com/watch?v=BqfGVdhQJ1M

O homem e o tempo

O homem e o tempo

 

O que é exatamente o tempo?
Bem, o dicionário Michaelis tem uma opinião sobre o tempo:
“tem.po – substantivo masculino (do latim tempu) – Medida de duração dos seres sujeitos à mudança da sua substância ou a mudanças acidentais e sucessivas da sua natureza, apreciáveis pelos sentidos orgânicos.”

A filosofia também tem um conceito sobre tempo, onde o filósofo Agostinho concluiu que se o tempo fosse sempre e não transcorresse para o passado, não seria mais tempo, mas eternidade. É exatamente nesta parte que o tempo me fascina. Seguindo o raciocínio de Agostinho sobre o conceito de tempo, este existe quando há passado, presente e futuro; e que este só existe na mente das pessoas.

Ou seja: para existir tempo, deve existir o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, isto é, a intuição atual de que o tempo existe; e o presente do futuro, ou seja, a espera do que está por vir. Percebe-se também, que o passado, presente e futuro, só existem enquanto estão no presente! Interessante, não? Veja a seguir.

Se o tempo é algo que só existe na mente das pessoas, logo o tempo é relativo. E se este é relativo, ele também está em constante evolução, assim como os humanos! Hoje, de acordo com a relatividade de seu cotidiano, o mesmo tempo pode se transformar e ter outros efeitos em situações diferentes.
Talvez agora ditados como ‘só o tempo irá dizer’ ou ‘carpe diem’, façam mais sentidos. Ou não.
Aproveite o seu tempo. 😉