Medo

Every black cloud has a silver lining

Era uma vez um jovem,
Que vivia em uma vida de medo.

Medo de perder os pais,
medo de ser assaltado.

Medo de ficar desempregado,
medo de não ouvir um obrigado.

Medo de pegar trânsito,
medo de ouvir um disparo.

Medo de morar sozinho,
medo de morrer solteiro.

Medo de ter um filho,
medo de não deixar legado.

Medo de perder a hora para acordar,
medo de se arrepender por ter acordado.

E assim seguiu o jovem,
vivendo de medos.

Porém, algo sempre foi vago.
Viveu o jovem com medo de viver a vida,
Ou morreu com medo de não vive-la?

Approaching Nirvana e a Revolução da Música Eletrônica

A->N

Meu gosto musical sempre foi puxado para o rock, mas sempre fui aberto a outros estilos: músicas clássicas, rap, pop, alguma coisa do indie e um pouco de música eletrônica. Na verdade eu era fã de Eurodance, sendo mais específico, onde vários artistas brilhavam por fazer uma música mais romântica e calma, com destaques para Gigi D’Agostino, Daft Punk, Cascada, Lasgo, Alice DeeJay, Kasino, Magic Box, Ian Van Dahl, Benny Benassi, Eiffel 65, enfim… só a nostalgia. Teve até uma época da minha adolescência que fiz uns remixes no Virtual DJ e estava começando a mexer no Fruit Loops, mas a mudança do cenário da música para o Psy/Trance me decepcionou bastante e desisti do hobbie. Essa minha decepção durou por longos anos, até conhecer o cenário underground da música eletrônica e me deparar com o Approaching Nirvana.

Andrew e Sam - Approaching Nirvana

Diferentemente dos grandes artistas com contratos de peso com gravadoras, o Approaching Nirvana produzia suas músicas de maneira independente, vendendo seus álbuns pela bagatela de U$ 10,00 na cópia digital (vendida no Bandcamp e Itunes) e Us 15,00 no CD com frete gratuito internacional. E as vantagens do trabalho da dupla ser independente, não paravam por aí: nas cópias digitais, você poderia baixá-las em qualidade .FLAC e comprá-las individualmente, o que era uma maravilha para os audiófilos. Além disso, todo o trabalho da dupla é disponibilizado no seu canal oficial no YouTube e pode ser usado em seus vídeos pessoais e em suas Streams no Twitch.TV, desde que você comprasse o álbum e fizesse uma dedicatória na descrição do vídeo. Ou seja: 10 dólares em uma cópia digital de um CD em alta qualidade, onde você poderia usar em seus vídeos, sem se preocupar com direitos autorais! Sem falar que, caso você não tivesse dinheiro para comprar os cds, poderia escutá-los gratuitamente no YouTube, e ajudar com o AdSense! Incrível!


Sam e Andrew

A história da dupla teve um início interessante. Tudo começou em 2009, quando Sam Willson (esquerda) e Andrew Sinclair (direita) fizeram um remix juntos via Skype para um evento, onde o público ouvinte gostou bastante do resultado e os dois decidiram gravar juntos. Na época, Sam morava na Flórida, Miami; e Andrew morava em Columbia, Maryland.

A>N respondendo meu Tweet

Mesmo assim, gravaram seu primeiro álbum em 2011, o Cinematic Soundscapes Vol. 1, e logo a comunidade contribuiu com doações para o projeto, fazendo assim alavancar o segundo album da dupla no mesmo ano, intitulado Lapse In Time. Logo o trabalho da dupla começou a ser exibido em alguns canais da TV americana, como MTV, VH1, Oprah Winfrey Network, e seus vídeos no YouTube estavam catalogados como a banda preferida dos canais gamers. Nisso, no mesmo ano foi lançado o terceiro álbum da dupla, o Subliminal Message, e logo em 2012 eles estavam no #1 lugar do Bandcamp como grupo independente, e em #4 lugar no Itunes no gênero Eletronic.

Em 2012, através de doações dos fãs, Andrew se mudou para Miami para morar e gravar junto com o Sam, e desde então foi uma avalanche de álbuns:

A->N - Capa do álbum Animals

O mais interessante da dupla, é a forma como eles fazem suas músicas: São feitas streams diariamente no Twitch.TV pelo Andrew, onde ele cria seus samples, batidas, voz, violão, teclado, tudo online e ao vivo. Enquanto a stream acontece, seus seguidores podem fazer doações via PayPal, e depois de alguns dias seguidos assistindo, percebe-se que existe uma comunidade entre os fãs e a dupla, onde todos conversam, interagem e ajudam na composição da música, dando dicas e idéias.

Derp - Mascote da dupla

Na minha opinião, este é o futuro perfeito para a evolução da música no sentido da arte. Veja o porquê abaixo:

  1. Não há preços abusivos em seus álbuns;
  2. Seus materiais são de uso livre desde que você contribua com a compra;
  3. Suas músicas são exibidas no YouTube caso não tenha grana pra contribuir;
  4. E caso você queira contribuir e participar das composições, as Streams são bem divertidas.

Muito diferente dos demais artistas do cenário eletrônico aí afora, que pagam para ter seu trabalho exibido e ter seu “sucesso” emplacado na TOP 100 DJ MAG.

A->N - Notes

Para concluir: na arte do álbum Notes (imagem acima), Sam escreveu diversas notas sobre como a música foi influenciada pelas pessoas ao seu redor, e sobre Andrew ir morar em Miami.

“Começamos a fazer música, porque queríamos estar em um lugar melhor na nossa vida; nós queríamos ser feliz. Estávamos a milhares de quilômetros de distância um do outro, e mesmo assim a música nos uniu. Nós vimos o quanto a música pode aproximar as pessoas. Todos nós viajamos nosso próprio caminho em busca da constante evolução para a felicidade. Vamos ser e sempre vamos estar se aproximando desse nirvana.” 

Aproveitando o gancho das notas do Sam na imagem acima: até a próxima! 😉

Publicado originalmente no Fonseca Labs – fonsecalabs.wordpress.com

Ir na Igreja me ajudou a ser um bom profissional de TI

igrejaeinternet
Sim, você leu corretamente: ir na igreja por toda a minha infância, me transformou em um bom Analista de Suporte Técnico de Tecnologia da Informação. Vou explicar o porquê.

Estava conversando com meus amigos e, em um certo momento, um deles estava tentando explicar a diferença de um blog hospedado no próprio WordPress, e de um blog hospedado em um servidor próprio, mas gerenciado por WordPress. Nisso, apareci com a seguinte analogia para auxiliá-lo:

Imaginem assim: o servidor é o hardware, o WordPress é o Sistema Operacional, e o domínio é a licença pra usar o Windows original. Simples.

Nisso, ele elogiou a explicação dizendo que “o didatismo era um dom”. Porém, imediatamente discordei. Sempre utilizei de parábolas, analogias, pra explicar os assuntos relacionados a tecnologia, e adquiri essa habilidade ao frequentar a igreja. (Pudera. Fui pra igreja por 20 anos da minha vida! Alguma coisa tinha que aprender lá!)

E, se analisarmos, existem diversas parábolas na bíblia: A Parábola do Bom Samaritano, A Parábola do Filho Pródigo, A Parábola do Semeador… só no Novo Testamento, são 40 parábolas no total!

O legal é que tudo isso – acredite se quiser – foi um aprendizado por osmose, pois nunca parei para estudar a Bíblia, como também nunca a li do início ao fim. Mas por ouvir constantemente suas parábolas, acabei adotando o costume e empregando-o constantemente em minha vida profissional. E funciona!

Como dizem os mais velhos, com a sabedoria que só a idade ensina: “Tire lição de tudo na sua vida.” 

Tenham uma boa semana. 😉

O Universo e o Vórtice da Perspectiva Total

Os astrofísicos são pessoas engraçadas. Inteligentes, mas na maioria das vezes engraçadas. Aliás, físicos no geral são engraçados. E as vezes até chatos. Digo isso por causa das calorosas discussões que estes tem quando o tema em pauta é “A Dimensão do Universo”.

Alguns cientistas dizem que o universo é finito, enquanto outros afirmam este ser infinito. Até Einstein participou dessa discussão, teorizando que o universo era finito!

Mas sendo o universo finito ou não, de algo temos certeza: o universo é algo realmente grande. Mas tipo, grande meeeeeesmo. Tipo, pra caralho! Mas a pergunta fundamental deste post é: como ter a noção da grandeza que tem o universo? Para isso, vamos tentar mostrar abaixo uma parte desta grandeza. Isso vai ser divertido. Apertem os cintos!

Na obra prima de ficção científica de Douglas Adams – O Restaurante no Fim do Universo (1980) – da trilogia O Guia do Mochileiro das Galáxias, certa vez foi criado uma máquina para demonstrar o tamanho do universo, o Vórtice da Perspectiva Total. O curioso foi o motivo para a criação da máquina. Segue o trecho do livro abaixo:

O homem que inventou o Vórtice da Perspectiva Total o fez basicamente para irritar sua mulher.
Trin Tragula – esse era seu nome – era um sonhador, um pensador, um filósofo ou, como sua mulher o definiria, um idiota.
E ela o enchia sem cessar por conta do tempo absurdamente longo que ele dedicava a observar o espaço, ou a meditar sobre o mecanismo dos alfinetes de segurança, ou a fazer análises espectográficas de pedaços de pão-de-ló.
– Você precisa entender a dimensão das coisas! – dizia ela, umas 38 vezes em um só dia.
E então ele construiu o Vórtice da Perspectiva Total – só para mostrar a ela.
Em uma ponta ele conectou a totalidade da realidade, extrapolada a partir de um pedaço de pão-de-ló, e na outra conectou sua esposa, de modo que, quando ele colocou a máquina para funcionar, ela viu em um único instante toda a infinidade da criação e viu a si mesma em relação a tudo.
Trin Tragula ficou horrorizado ao descobrir que o choque havia destruído completamente o cérebro de sua mulher. Contudo, para sua satisfação, ele compreendeu que tinha provado de uma vez por todas que, se a vida deve existir em um Universo desse tamanho, a única coisa que não se pode dar ao luxo de ter, é o senso de proporção.

Ou seja: o universo era tão vasto, mas tão vasto, que a nossa existência no universo era o mesmo que nada, irrelevante, fazendo assim o cérebro da mulher derreter ao compreender de fato a situação! Mas ainda assim, vamos tentar explicar de outra forma, agora com um exemplo da vida real:

Certa vez foi observado pelos cientistas em Setembro/2003 que havia um ponto negro perto da lua, dez vezes menor que o seu tamanho, e decidiram colocar o lendário telescópio espacial Hubble para capturar toda a luz que pudesse deste ponto por quatro meses, e o resultado foi a imagem abaixo. Nela, ele faz uma comparação dos planetas do nosso sistema solar com as maiores estrelas já vistas. Depois, ele mostra tudo o que foi capturado no ponto focado pelo Hubble. Mesmo que você não saiba falar inglês, as imagens falam por si só.

A Dimensão do Universo

Deu pra ter uma pequena noção da dimensão do universo? Acho que sim, né? hahaha.

Portanto, a resposta para a pergunta fundamental deste post sobre como ter a noção da grandeza que é o universo, é a própria resposta dada pelo Douglas Adams em seu livro: a única coisa que não se pode dar ao luxo de ter, é o senso de proporção.

Espero que gostem do tema de hoje. Aliás, as vezes me pergunto até que ponto a ficção imita a vida, ou o contrário, porque olha…

Até a próxima!

A ética da cocaína e a barbárie da democracia

Por: Rodrigo Lima

“Representação”, eis a palavra prática no exercício da democracia. É claro que na ordem etimológica, tão citada em artigos acadêmicos, podemos inferir que um sistema democrático é aquele no qual o povo detém o poder máximo. Teoricamente (e hipocritamente) o sistema político brasileiro opera dessa forma, mas a hipocrisia, nesse caso, é saudável: qualquer Estado que opera de acordo com a legitimidade democrática se torna uma máquina a serviço da barbárie. Exemplos nos são abundantes.

O “Estado Democrático de Direito”, epíteto amado pelos doutrinadores jurídicos e operadores do direito, determina a aplicação jurídica e empírica da Democracia. Exemplo disso é o famoso “Ordenamento Jurídico”, tese do grande jurista Hans Kelsen, nos mostra como o povo deve se comunicar com a lei. Segundo o nosso ilustre austríaco, a legislação precisa se organizar de forma piramidal. Assim, existem uma série de leis menores que formam o piso horizontal da pirâmide (as infraconstitucionais), submissas ao resto do ordenamento. A lei máxima (ponto culminante da pirâmide) é a constituição, onde não há leis tão práticas assim, o que existe é mais uma regra moral de funcionamento das instituições, e essa regra moral tem que advir dos valores culturais e éticos da sociedade.

Como por esse poder incorre a perda de legitimidade? Simples, quando o administrador da res publica perde a consciência do seu papel e ignora o que o povo pensa. Os recentes protestos ocorridos no nosso país, do ano passado pra cá, são um exemplo claro do processo de ruptura do Estado Democrático. Sempre que há essa separação, vivemos tempos de grandes revoluções.

Algumas poucas vezes, esse processo não ocorre via tomada abrupta de poder (revolução), mas acontece de forma paulatina, como um parasita se infiltrando no organismo do poder. No segundo exemplo, o sangue é o diálogo e a discriminação é a lei. São raras as exceções, algumas delas podemos ver no documentário: Off the Grid (Fora da Rede); nesse filme, o diretor Alexander Oey viaja por cidades no interior dos Estados Unidos para mostrar o modo de vida de algumas pequenas populações que sofreram grandes danos econômicos no crash de 2008. Muitos grupos chegaram até a criar uma economia paralela com moeda local.

Mas não vou me prender a esse exemplo. Afinal, tudo o que os EUA fazem é bem feito. Prefiro um exemplo latino americano. Fiquei em dúvida entre um brasileiro e um colombiano, Canudos e Medellín, respectivamente. Optei pelo colombiano, porque também podemos discutir uma questão ética: a pena de morte.

No final dos anos 80, emergira em Medellín o maior narcotraficante da história: Pablo Escobar. Com um patrimônio pessoal bilionário, não se sabe ao certo o valor de mercado, a revista Forbes o listou como o sétimo homem mais rico do mundo. Pablo não tinha apenas dinheiro, tinha influência e apoio político, não o apoio dos políticos, mas apoio do povo que o elegeu para o congresso da Colômbia. Escobar construiu uma sociedade paralela, supriu demandas que o Estado jamais fora capaz: construiu casas populares, escolas, hospitais, milícias de segurança e até campos de futebol. Eu diria que ele praticou o crime de lavagem de moral, ou lavagem de cocaína. El patrón del mal, como era chamado, se tornou um verdadeiro representante, um líder, no final: um mártir. Sua personalidade foi cultuada, seu funeral lotou as ruas de Medellín.

Pablo Escobar definitivamente estruturou um Estado paralelo, mas como um parasita, e sua economia emergiu com base na exportação de toneladas de cocaína para a Europa e a América no Norte, controlando 80% do tráfico mundial.

Seu poder não era “institucional”, mas afinal, o que é “legitimo”, “institucional” , “legal”? Será que é colocar a bunda gorda na cadeira do poder e usar terno e gravata? Só pode ser isso, pois duvido que algum governante da América Latina, hoje, seja tão legítimo quanto Pablo foi. Muita gente o condena dizendo que ele foi cruel e matou muitas pessoas. Mas é isso mesmo: se você tem um poder estatal, é necessário criar leis e fazê-las funcionar. Foi assim que o Cartel de Medellín operou, essa é a ética do crime organizado, uma ética quase sempre inexorável.

Não quero denegar os crimes que foram praticados contra os “human rights”, mas os próprios defensores dos “human rights”, praticam a pena de morte, mantém presos sob regime de tortura em Guantánamo, e são coniventes com a barbárie que é praticada no Oriente Médio, na África e em países da Ásia, afinal, há interesses econômicos em jogo, “apedrejar mulheres é uma questão cultural”. Dá pra entender por que falo que a democracia, no rigor da palavra, é uma máquina a serviço da barbárie?

 A pergunta final é: o que é um governo legítimo? Ainda acho que é aquele que têm mais força militar, porque, a democracia é falha: nunca a alcançamos na sua real condição (como em Pablo Escobar), mas se chegamos perto, mostramos o que há de mais cruel no ser humano potencializado à grupo.

 


Texto original publicado no blog Ensaios do peido à bomba atômica

Outro tipo de preconceito

Todos temos os nossos próprios demônios, nossos próprios problemas. E foi ao observar meu primo de 10 meses de idade, que observei o quanto certos demônios, mesmo após anos mais tarde, ainda assombram minha vida. Hoje vou seguir um conselho do aclamado comediante Louis C.K. e vou sair da minha zona de conforto, que é fazer posts nerds abordando tecnologia e jogos.

Sobre a família

Vim de uma família problemática. Minha mãe engravidou deste que vos escreve aos 15 anos de idade e na época meu pai tinha 24 anos. Ambos irresponsáveis. Minha mãe cabulava o ensino fundamental pra ficar com rapazes, e meu pai cabulava a escola pra ficar na rua. Terminou que ambos não completaram o ensino fundamental. Bem, deu pra perceber que a minha vinda ao mundo não foi muito bem planejada, não é? Ou como eu gosto de lembrar: fui o fruto de uma ‘rapidinha’ com a filha da vizinha que deu errado.

Na verdade, o problema de uma família estruturada não parava em meus pais. Minha avó materna não tinha parentes. Tinha sido adotada na infância pra trabalhar como empregada de sítio por uma família em Sergipe,  e depois de toda exploração trabalhista infantil, veio para São Paulo procurando uma vida nova. Já meus avós paternos, a situação era mais complicada. Meu avô largou a esposa com os 6 filhos para viver a vida dele, em uma pequena cidade de Minas Gerais.

Quando eu nasci, fui adotado pela minha avó materna. Minha mãe na época só pensava em baladas e rolês, e meu pai fazia de conta que eu não existia. E é aqui que chegamos na origem dos meus problemas. Minha avó era uma mulher pobre, acabando de comprar o próprio barraco em uma favela de Osasco. Moramos no mesmo local por 20 anos de idade. Aliás, ainda moramos aqui. Não na mesma casa de pau a pique com problemas de infiltração, mas em uma casa bem estruturada com um bom espaço para uma família de 3 pessoas: minha avó, minha tia e eu.

Nos meus 12 anos, minha mãe decidiu sair de casa após diversas brigas com a minha avó. Na verdade, até eu com minha pouca idade, não concordava com o tipo de vida que minha mãe levava. No total eram 7 filhos. Eu, o mais velho, vivendo com a minha avó e mais 6 meninas, sendo que destas, 2 moravam com a avó paterna. Hoje eu posso encontrar com a Talita e a Tamires na rua, e não vou reconhece-las.

Sobre o preconceito

Comecei a ir pra igreja desde criança com a minha avó. Aos 7 anos de idade, fui aprender violino e estudar música clássica, mas minha avó não tinha condições financeiras de me dar um instrumento. Aprendi e toquei até os 12 anos de idade com um violino emprestado pela igreja, visto que eu não podia comprar um. No ano seguinte, eu era mente em evolução: queria trocar do violino pra viola clássica e já me imaginava tocando violoncelo também, mas isso me trouxe novos problemas na igreja, visto que mais uma vez eu não podia arcar com os custos de um instrumento novo. Acabou que ganhei de presente da igreja uma viola clássica, e após uma longa conversa com os responsáveis da igreja, tive que me contentar com esta e descartar a possibilidade de aprender violoncelo.

Até meus 16 anos de idade, eu não era bem aceito na comunidade da igreja. Era o garoto pobre da favela, e só tinha mais 2 amigos da comunidade que se encaixavam em um perfil financeiro como o meu. Era aceito na comunidade por ser músico. Aliás, ser músico era um problema. Na igreja, músicos devem usar ternos para tocar com a orquestra e eu só tinha um único terno para usar em todos os cultos que eu participava da igreja.

Fui bem educado pela minha avó, e isso foi fundamental para minha adolescência. Mesmo com um único terno, aos 16 anos de idade eu era impecável, bem arrumado e educado, e com isso fiz boas amizades com alguns adolescentes. Porém, nunca arrumei uma namorada. Mesmo bem arrumado ao ponto de fazer o Barney Stinson ter orgulho de minha pessoa, os boatos corriam, e nenhuma garota queria namorar ou sair com um garoto pobre. E isso seguiu até os 20 anos de idade, quando decidi abandonar o barco e sair da igreja. Estava abandonando não só um princípio religioso, mas também meu hobby de músico. Tinha decidido de que não valia a pena aturar isso e outros absurdos que existem em uma comunidade evangélica.

Na escola não era muito diferente. No sexto ano do ensino fundamental, minha tia tinha ganhado de aniversário 2 cachorros labradores filhotes, e a gente não tinha condições para criá-los, então decidimos doar ambos. Nisso, encontrei em minha turma de sala, 2 irmãs gêmeas que queriam adotá-los, porém mal sabia que elas iriam buscar os cachorros em casa. Na semana seguinte, a sala toda sabia que eu morava em um barraco, e foi uma das humilhações que tive que aturar. Sem contar as piadinhas. Eu tinha alguns amigos sinceros e foi bom contar com um apoio na época. A maior parte dos comentários vinham por parte das garotas da sala, mas o que eu podia fazer? Life goes on, right?

E no que eu pensei hoje ao olhar para meu primo? Que ele não vai precisar passar por muitas humilhações como estas que eu tive que passar. Sobre fazer um curso técnico e ter que ir 2 semanas a pé para a escola de Osasco até a Vila Leopoldina, quase 3 horas andando. Sobre ter que passar o final de semana na casa do amigo pra poder utilizar o computador dele, para poder fazer trabalhos do curso técnico de programação. Sobre ter medo de trazer alguma namorada ou garota em casa para apresentar para minha avó, com medo dela não gostar da minha casa ou da minha vida e me dispensar. Na verdade, só trouxe uma garota na minha casa quando era um barraco e fui eternamente grato por isso não mudar os sentimentos dela para comigo.

Tive quem me ajudou nesse caminho todo e sou eternamente grato por isso. Pelo Denis, por me emprestar seu computador e sua casa aos fins de semana para que eu pudesse estudar; pelo José, Davi e Bruno, por serem meus amigos de infância e terem me apoiado em todos esses problemas; pela Elizabeth, a única garota que eu trouxe na minha casa, por ter me ajudado com dinheiro para condução ao saber que eu estava indo estudar a pé; e a uma senhora da igreja que até hoje eu não sei seu nome, mas que também doou algum dinheiro para minha avó para que eu pudesse estudar.

E eu espero que isso nunca se repita para meu pequeno primo e um possível filho que eu possa ter algum dia. Foi doloroso ser um adolescente que não tinha um video game, um computador, ou que não podia ir ao Play Center com a turma da escola. De fato, muita coisa se repete: minha tia, mãe do meu referido primo, não casou com o pai dele, então ela trabalha 12 horas por dia pra dar o melhor para garoto. Logo, minha avó tem que cuidar do pequeno. Mas enfim, quem tem uma família perfeita?

Minha ideia neste post não foi viver mágoas passadas, mas sim retratar um outro tipo de preconceito que existe na sociedade. Alguns anos atrás, eu teria vergonha de conversar sobre tudo isso. Mas parafraseando o Chorão: “Um dia a gente cresce, conhece a nossa essência e ganha experiência, aprende o que é raiz e aí cria consciência.”.

Postei esse texto originalmente em meu blog, e compartilho aqui com os Interferentes essa experiência de vida. Até a próxima.

Twelve-Step Suite – Dream Theater

Olá galera, tudo bem? Hoje vou reblogar um de meus textos favoritos, da época em que eu escrevia sobre músicas em um blog que não está mais ativo. Trata-se sobre uma série de músicas do Dream Theater, minha banda de cabeceira. Muita gente não curte o Dream Theater por diversos motivos, entre eles a seriedade destes no palcos, e as longas músicas, que chegam aos 15, 20 minutos cada.

Tudo começou com o álbum Metropolis 2000: Scenes From a Memory, escrito por Mike Portnoy e lançado no ano de 1999. A banda fazia shows de 3 horas de duração, chegando em alguns deles a levar o seu baterista para o hospital por cansaço e bebedeira. Relatos contam que Portnoy já subia ao palco bêbado, e que estava totalmente dependente da bebida.

Ouvindo os conselhos de seus amigos e familiares, Portnoy participou dos AA-Alcoholics Anonymous, um programa para alcólicos anônimos dos E.U.A.
Após sua reabilitação, Pornoy compôs as músicas mais pesadas e bem tocadas da banda, tanto na melodia quanto em sua letra, retratando partes de sua experiência na luta contra o alcoolismo.

No backstage, existe toda uma dedicatória e história por trás dos famosos Twelve-Step Suite:

Toda a sequência é dedicada a Bill W., criador do programa de 12 passos da AA;
Assim como no programa da AA, a sequência é dividida em 12 passos, estes apresentados em 5 músicas;
Cada uma das 5 músicas, foram lançadas em um álbum da banda;
Assim como a duração dos 12 passos do programa da AA, a duração de todas as músicas da sequência duram 57:16 minutos;
A sequência tem uma música considerada o ‘prelúdio’, chamada The Mirror, esta retratando sobre os problemas de alcoolismo do Portnoy e lançada no állbum Awake, de 1994;
Todas as músicas tem citações das músicas anteriores, mostrando assim o fluxo das história e mensagem apresentadas nesta.
Agora, conheçam o setlist da Twelve-Steps Suite:
*os 12 passos são divididos nas músicas

The Glass Prison (Six Degrees of Inner Turbulence, 2002)
I. Reflection
II. Restoration
III. Revelation

This Dying Soul (Train of Thought, 2003)
IV. Reflections of Reality (Revisited)
V. Release

The Root of All Evil (Octavarium, 2005)
VI. Ready
VII. Remove

Repentance (Systematic Chaos, 2007)
VIII. Regret
IX. Restitution

The Shattered Fortress (Black Clouds and Siver Linnings, 2009)
X. Restraint
XII. Receive
XIII. Responsible

Espero que vcs curtam a Twelve-Step Suite, uma das grandes obras de arte desta completa e complexa banda que é o Dream Theater. Se não conhece o trabalho, deixo-vos o vídeo abaixo com todas as músicas. O trabalho completo tem 55 minutos de duração, e vale a pena cada pedaço dele. Recomendo também para os músicos, independente do estilo e gostos musicais.

Abraços, e até a próxima!
Diogo “Dyriel” Fonseca

Seu Facebook não abre? Temos a solução!

Para quem está com dificuldades para entrar no Facebook, seja pelo computador ou pelo notebook, siga o tutorial abaixo.

OBS: O caminho citado abaixo, só é válido para quem utiliza o sistema operacional Windows 7. A configuração do DNS serve para todos os sistemas operacionais (Windows XP e Mac OS X), porém o caminho para chegar na configuração é diferente. É necessário ser o administrador da máquina para realizar a configuração.

No Windows 7 siga o seguinte caminho: Menu Iniciar > Painel de Controle > Central de Rede e Compartilhamento.

Depois, clique no link em azul na frente de Conexões (o nome da sua conexão, caso você não tenha mudado, está “Conexão local” ). Ao abrir, clique em Propriedades logo abaixo.

Ao abrir, você vai ver no centro várias opções assinaladas em “Esta conexão utiliza os seguintes itens”.

Desça as opções e localize a Protocolo TPI/IP Versão 4 (TCP/IPv4) e dê um duplo-clique para abrir uma nova janela.

Altere a opção de Obter endereços de servidores DNS automaticamente, para Usar os seguintes endereços de servidor DNS.

No campo abaixo Servidor DNS Preferencial, digite o seguinte endereço: 189.38.95.95.

Em servidor DNS Alternativo, digite o seguinte endereço: 8.8.8.8.

Clique em OK para salvar e fechar, em seguida em OK para fechar novamente a outra janela, e depois clique em Fechar para a última janela restante.

Pronto! Reinicie seu navegador, abra o Fecebook e diga nos comentários deste post se ficou mais rápido. 😉

OBS: no meu caso eu “precisei” utilizar outro servidor DNS porque o da NET VIRTUA (que é o meu provedor de internet) está apresentando problemas desde a semana passada.

Esta solução não é apenas para o Facebook, mas também para a maioria (senão todos) dos sites que utilizam protocolos de páginas seguras, o https://.

Publicado originalmente por Anderson Calera, em seu Facebook pessoal: https://www.facebook.com/alcalera

Todos os créditos mantidos ao autor. Gostou? Compartilhe! Tem muita gente enfrentando o mesmo problema, e até a NET arrumar a falha de seus servidores, esta é a solução!

Linhas

Pensando em soluções para a vida, para o mundo e para o almoço, notei que uma linha verde saia de traz de minha cabeça. Uma linha de luz verde saindo da minha nuca, deixando um rastro enquanto eu andava. Estranho eu nunca ter reparado nela, afinal era bem viva e clara, como um tubo fosforescente que cintilava e oscilava flutuante.
Olhei em volta e reparei que todos também emitiam tal linha, porém com variações de cores e intensidade.
Continuei a andar e reparar nas pessoas e em seus tubos. Por associação consegui ligar a cor da luz com as feições nos rostos e com as palavras que por ventura eram emitidas pelos transeuntes. Pareciam diretamente ligadas. Como por exemplo o homem que estava no carro, buzinando e bravejando; sua linha variava entre um vermelho escuro e um marrom bem denso, causando certo desconforto, confesso, enquanto o via.
Vi também uma bela mulher de seios fartos emitindo uma luz amarela e laranja. Seu sorriso era evidente, enquanto contemplava os pássaros que cantavam na árvore a sua frente. Notei logo que dela também saia uma luz na altura da coluna, mais fraca, de uma tonalidade azul clara.
É certo que não reparei logo de início, mas se tratava de uma mulher grávida.
Já acostumado com a ideia e entendo melhor o que talvez significasse tal rastro, me surpreendi novamente quando me deparei com o cruzar de uma linha com outra.
O homem que corria pelo parque passou por outro trajado de social, causando um impacto entre os traços. Aparentemente nem um nem outro notou nada. Continuaram seus caminhos como se nada tivesse acontecido. Um sem notar a presença d’outro. Mas, prestando atenção minunciosamente no rosto do homem sério, de social, vi um esboçar de vitalidade, um rubor nas maçãs do rosto e um aumento na velocidade do caminhar.
Esse impacto me chocou, e me atentei ainda mais para possíveis colisões.
Vi um casal jovem. Dezoito, dezenove anos. “Entregues num abraço que sufoca o próprio amor”, fazendo o mundo a sua volta parar como somente os jovens sabem fazer. Suas linhas se emaranhavam em um nó desconexo, com cores vibrantes e pouco definidas. Estava tudo enrolado em volta deles e não dava pra saber onde um começava e o outro acabava.
Sim, existe a possibilidade de eu estar louco, vendo coisas. E o que mais me perturba é a serenidade que me encontro ao me deparar com essas visões completamente novas. Me sinto como Gregor, quando não questiona o por que de sua metamorfose e sim o como isso influenciará em sua vida dali por diante. Mas a loucura e a sanidade estão nos olhos de quem as julga. E se posso encarar de forma analítica tal situação, por que não contemplar o novo e me surpreender com as possibilidades?
Não quero mais ser o dono da certeza pois é do etnocentrismo a verdade absoluta do ignorante, quero analisar e não mais julgar, mas temo, pois não há dedo indicador que não aponte.

Estética da Excreção

Li em algum lugar por aí que a matéria última das coisas é o pó: não há razões para que não seja. Mas o ápice do concreto com o qual temos contato sensorial e visual: é a merda. Sabiamente compôs Moacyr Franco:
“O ovo frito, o caviar e o cozido
A buchada e o cabrito
O cinzento e o colorido
A ditadura e o oprimido
O prometido e o não cumprido
E o programa do partido
Tudo vira bosta…”
A metáfora trasborda a esfera do “politicamente correto”. Um instinto me impele a analisar; de um lado: meu pedantismo como escritor; do outro: meu ignóbil hábito de sentar na privada todos os dias. Os processos só não são gêmeos porque seus adventos não datam da mesma época, mas isso é só uma questão cronológica. Em essência, fazer cocô é como dissertar e vice-versa. Há dias em que a espontaneidade do processo é divina: as “coisas” saem sem nenhum esforço tornando o exercício aprazível e relaxante. Porém, há horas em que a transpiração sobrepuja qualquer impulso de criatividade natural: não adianta fazer força, se debruçar ou zelar pela higiene apenas com papel. Aliás, o papel é outro elemento incomum nos rituais: num, limpa o físico, noutro, a alma. Mas agora não pretendo falar de alma, meu maior afã é tornar esse ensaio o mais fétido possível.
Porque tudo o que é bom, é melhor ainda se praticado na pequena jurisdição que isola o ser do mundo? O banheiro deveria ser uma espécie de santuário: espaço individual onde a humanidade vive o deleite máximo da existência; lugar que enseja reflexão, vaidade e prazer. Tudo isso sem precisar do outro, não é sublime?
É o encontro com o “Eu” que constrói essa mística, mas o satisfatório fito da nossa futura substância barrosa, nos dá uma amostra grátis da relevância do que outrora fora julgado digno de ser enfiado goela abaixo. A priori, tudo o que tem valor é a estética, a etiqueta, a boa educação e o sorriso na foto, mas foda-se o que você pensa: por mais que acredite no plano extramundano, não pode negar os vermes que habitar-te-ão em teu féretro, não pode fugir da permeabilidade do solo que permitirá o apodrecimento do seu belo e caro ataúde, não escaparás da merda que és.
O ser humano hodierno é como os platelmintos. Apesar do ânus, nosso aparelho digestivo ainda é incompleto. Sim, nossa habilidade para metabolizar cultura e jogar o que não presta fora, não é muito elevada. Ainda cagamos pela boca.
Vejam como a bosta é cotidiana: se alguém diz uma asneira, dizemos que está “falando bosta”. Ainda duvida da estrutura do nosso tubo de digestão?

É soturno, mas a decomposição do que é tangível, independente do tempo que leva, deixa no ar a essência e o aroma do que fora sólido. Pode ser que, no final da humanidade, o mar se torne um imenso Rio Tietê e as superfícies um enorme aterro.Existem coisas e pessoas que são insubstituíveis, mas não há nada que não se possa descartar.

O verbo poder é interessante, o substantivo nem tanto. O verbo é um eterno desafeto das nossas vontades e do nosso pensamento. Porque essa digressão agora? Só pelo intuito de mostrar que você pode querer, mas não possui a mais ínfima potência para alterar o fado que lhe espera.
Esse blog chama-se: “Do Peido à Bomba Atômica”. O que há nesse intermédio representado pela crase? Apenas uma hierarquia. Observe: tanto o peido quanto a bomba atômica destroem alguma coisa. A matéria remanescente não passa de ar. Entre a máxima e a mínima destruição, está o espírito de um ser; ser esse que anseia pelo fim das coisas. É nossa natureza, como a diversão da criança que quebra o brinquedo só para ver que há dentro dele.
Nosso impulso rumo à criação é nefasto.

Sinto-me como se estivesse desbravado o caminho jogando uma bomba. Agora é só caminhar sobre a destruição.

Por: Rodrigo Lima (https://www.facebook.com/profile.php?id=100001629562785)
Original em: http://rodrigolimaensaios.blogspot.com.br/